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terça-feira, 24 de março de 2015

Hoje Morro





Hoje morro,
Morro um pouco cada dia
Até que um dia morro
E mesmo que do cimo do morro
Se alcance a infinitude do olhar
Cairão por terra as ilusões da perenidade
Que preencheram as utopias da adolescência
que teima em não me abandonar.
E assim morrerei,
Corpo macerado de uma adolescência por desflorar.

Fernanda Paixão

24/03/2015

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Sei lá






Sei lá se as folhas que cobrem o chão
Em tintes castanhos de outono
Tombaram porque morreram
Ou lacrimam de comoção
Sei lá se o mar que se agita
Em torvelinos de espuma
Declara mensagens de Amor
Ou clama da sua desdita
Sei lá se as gotas perfeitas
Que fruem do abrigo das nuvens
Soluçam em pranto arminho
Ou correm loucas, atreitas
Eu sei lá se a vida finda,
Ou se renasce sobrevinda,
Se há um fado em cada na vida
ou se  é uma partida …

Fruir-te no olhar mantem-me adolescida;

Fernanda Paixão

07/02/2015

sábado, 31 de janeiro de 2015

Predicado






Já não me inquieta a voz dos outros,
E os olhares que se incendeiam não me agitam,
Já não me sangram as ilusões,
São passeios celestes, diapasões;
Num compasso arritmado,
Já não ouço o badalo do sino adestrado,
As falácias, as grilhetas, o falso fado,
A cadência amorfa de quem passa ao meu lado
Não reduzo a vida a um predicado!


Fernanda Paixão

30/01/2015

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Foi quase tudo por ti




Foi quase tudo por ti
Os sorrisos tímidos, as sonoras gargalhadas
As lágrimas e os soluços
As folhas em branco
O caminhar sem destino à procura de destino nenhum…
Foi quase tudo por ti
Foi por ti que a minha noite se fez dia
E as estrelas ainda brilham no céu.
Foi por ti que os caminhos cravados de espinhos
Se transformam em suaves nuvens de algodão
Foi por ti que se acenderam os rubores nas faces
E se morderam os lábios em sangue
Foi por ti que a vida se fez incontida
E que a prolongo fora de mim
Foi quase tudo por ti

Fernanda Paixão
2015/01/17

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Toco em ti



Toco em ti

Toco em ti,
Suave, docemente
De modo que a brisa lasciva cobice o toque que em ti passeio
Percorro os meus dedos nas curvas marcadas dos lábios que já te beijei
E deixo a marca a Báton que nunca tirei.
Mergulho os dedos no cabelo que encosta ao meu ombro
E arrebato o olhar que me olha e em que me assombro
E nos dedos sedentos que entrelaçamos
Fiamos os sonhos que ainda sonhamos
E, com a pele desnuda que em afectos tocamos,

Beijamos os lábios que em silêncio amamos.

Fernanda Paixão
2014.12.10

domingo, 21 de dezembro de 2014

Natal 2014





Ficam saudades daquilo que foi
Errando na espera do frio da lua
Lanternas acesas no canto da alma
Incendeiam dilemas de sabor melíflua
Zénite de afectos

Nascidos em dor
Anseiam carinho ou um sopro de Amor
Trajando andrajos
Agastados pela vida, transportam no olhar
Laivos do seu desfolhar

Fernanda Paixão,17-12-2014


“Fé é dar o primeiro passo, mesmo quando não se vê a escada toda, Martin Luther King!”

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Fio do enredo











No fio, feito de luz,
Rasgão do nero das sombras,
Adeja o puníceo das folhas
Cambiante que escraviza e seduz

Tombadas no chão de verniz,
Tapiz de seda e veludo,
Brotam ecos da passagem
Num caminho que se desdiz

E, no prazo

Dos cardos que povoam o alento,
Das pétalas arquejadas pelo vento,
Ficam as pedras feitas caminho
E desvelos de um sonhar torvelinho

Puxado o fio do enredo
Olhando o fim do percurso
Sobejam anseios mundanos  
De mudos gritos ufanos


Fernanda Paixão

2-9-2014