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sábado, 20 de junho de 2026

Há noites

 



Há Noites
 
Há noites mais escuras,
noites em que nem a sombra se atreve a sê-lo.
Há noites em que apenas o silêncio impera atravessado pelo grito mudo da alma.
Há noites em que, até, o grito mudo da alma, que sofre, se dissipa em notas loucas.
E, nessas noites as quatro paredes do quarto estreitam o corpo que sufoca sem dor.
Tudo parece inerte.
Nem o relógio, preso ao pulso, se atreve a mexer qualquer um dos seus três ponteiros.
E, nessas infinitas noites, revela-se o monstro que nos consome:
Os cérebros, que não se calam, repetem uma e outra vez as vozes que te gritaram, as bocas que se taparam, as portas que se fecharam, os telefones que não mais tocaram, a vida que te ceifaram.
Maldito pensamento que te amarra com linhas finas e invisíveis causando a inércia que te tolhe.
Maldita noite,
Maldito o pensamento que te consome.
MALE DITOS!
 
26/02/2026
Fernanda Paixão