Há Noites
Há noites mais escuras,
noites em que nem a sombra se atreve a sê-lo.
Há noites em que apenas o silêncio impera atravessado pelo
grito mudo da alma.
Há noites em que, até, o grito mudo da alma, que sofre, se
dissipa em notas loucas.
E, nessas noites as quatro paredes do quarto estreitam o
corpo que sufoca sem dor.
Tudo parece inerte.
Nem o relógio, preso ao pulso, se atreve a mexer qualquer um
dos seus três ponteiros.
E, nessas infinitas noites, revela-se o monstro que nos
consome:
Os cérebros, que não se calam, repetem uma e outra vez as
vozes que te gritaram, as bocas que se taparam, as portas que se fecharam, os
telefones que não mais tocaram, a vida que te ceifaram.
Maldito pensamento que te amarra com linhas finas e
invisíveis causando a inércia que te tolhe.
Maldita noite,
Maldito o pensamento que te consome.
MALE DITOS!
26/02/2026
Fernanda Paixão