Paixão
sábado, 20 de junho de 2026
sábado, 1 de março de 2025
Não vás
Não chores, não grites, nem te tão pouco tempo agites.
Não te enganes, faz o que sempre, tão bem, fizeste,
aquele fingimento tão teu, tão inato, que engana o mais literato,
A tua roda de vida, falseada de etiqueta, corta laços de sangue como lâmina de baioneta.
Aquela ambição camuflada, aquela necessidade exaltada, de parecer sem ser, não a quero levar de ti quando morrer.
Mantém a porta fechada, finge só mais uma vez, deixa-me partir em paz sem a tua falsidade voraz.
2025.02.22
Fernanda Paixão
domingo, 3 de novembro de 2024
Estarei por aí
Um dia estarei por aí,
terça-feira, 6 de fevereiro de 2024
Não Chores
Já não chorarei por ti.
Não eleves as qualidades que nunca reconheceste.
Mantem o silêncio e a postura de quem nada aportou à vida para além da dor.
Mantém o silêncio das mentiras que não soubeste calar.
Lembra-te, o "amor" não é folia nem pudor, é sangue, luz e cor;
É o cheiro da manhã que assalta o despertar; é sonhar acordado sem vontade de acordar.
"Amor" é sentir a dor que o outro sente e pintar-lhe um sorriso quando descrente.
Quando partir não chores.
Eu já não chorarei por ti e levarei aquilo que fizeste questão de me ofertar, seja dor ou seja Amor;
qualquer tipo de Amor;
qualquer tipo de dor.
Não chores por mim
30.12.2023
Fernanda Paixão
sexta-feira, 15 de dezembro de 2023
Como um rio
Sou como um rio,
nunca constante, previsível ou vazio
Ou como o tempo, às vezes suave, às vezes intenso mas nunca tempestade,
Sou de sorriso fácil, de lágrima no canto do olho e de coração nas mãos
Sou translúcida, talvez até transparente
Às vezes sou uma ilha criada para sofrer, uma montanha bem alta para gritar sem pudor ou praia de areia quente para partilhar amor.
E se o meu erro é amar, então morrerei de amor.
Fernanda Paixão
2023.12.15
quinta-feira, 20 de janeiro de 2022
Até um dia
Até um dia.
Aquela brisa que agita a poeira parada nos objectos imóveis,
que levanta o pó da terra dos caminhos calcados dos passos
das gentes,
é também a que sopra as folhas, que mortas, se desprendem dos
ramos que as ligavam à vida.
Aquela brisa que te fecha os olhos defendendo-os de padecer
é a que te leva ao choro provocado pela poeira que neles
entrou.
E assim entre brisas e poeiras, num ciclo infinito impossível
de entender, entre sorrir e sofrer unem-se o nascer e o morrer.
Até lá, vives nos meus
pensamentos.
15/01/2021
Fernanda Paixão
quarta-feira, 3 de novembro de 2021
Quando Morrer
Um dia,
talvez amanhã, quando morrer,
quero ser pó.
Pó fino espalhado no vento.
Quero sair como cheguei,
uma ideia sem esboço
que apenas (sobre)vive naqueles que amam.
Quero que aqueles que amei fiquem na certeza do amor que lhes
votei.
Quero poucos,
apenas os que verdadeiramente foram amor,
aqueles que comigo partilharam os sorrisos e a dor.
E que sobre o corpo que foi meu, lavado, nu e branco, repouse
apenas um pano,
um pano que oculte os olhos já cegos e os lábios sem cor,
e que sobre ele me deixes o teu ultimo beijo, AMOR
Fernanda
Paixão, 03/11/2021




