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terça-feira, 18 de março de 2014

ALMA DESASSOSSEGADA


 
 
Minha alma desassossegada
Quase se entrega,
Quase desiste por estar fatigada.
Quase acredita não valer nada.
Encosta-se ao ombro ou fica inquieta
Medita no mundo que já não desperta
Minha alma desassossegada
Fica atenta, mantem-te acordada
A luta que travas não é desejada
Minha alma desassossegada
Sente-se só, abalroada
Descrente do mundo de gente assombrada
Gente sem sonhos, nação ofuscada
Minha Alma desassossegada
Poente da luta por se libertar
Um dia virá em que poderás voar.
 
 
06/10/2013
By Fernanda Paixão

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Singelezas


 
Trespassei o umbral;
mergulhando no escuro da sala.
As pesadas portadas cortavam a luz
de um dia que deixava lá fora.
Do vazio da sala,
das paredes singelas,
assomava um respirar pausado por suspiros.
No caminho perdera indiferenças, sonhos e crenças,
Despira-me de mim.
E, assim, desnuda,
num passo vacilante, dividi a tua mão …
aceitamos a vida que nos saúda.

 

Fernanda Paixão

03-02-2014

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Olhar

 
 

 

 
Quando o tempo
torneia as horas,
em espirais de leve fumo,
sobram os sonhos e as perguntas no ar;
sobram as quimeras em desaprumo.
Quando o sonho,
em constante pulsar,
pinta aguarelas com a espuma do mar;
cingem-se ideais num simples olhar.

 

Fernanda Paixão

02/02/2014

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Quero Amar-te




 
Quero Amar-te
Quero Amar-te,
A vida pende de um fio
Qual teia de aranha rasgada na fúria da presa;
Quero Amar-te,
A água agitada das palavras
Compõe aforismos da vida que vivemos;
Quero Amar-te
O eco do trovão
Ressoa nas paredes caiadas a dois;
Quero Amar-te
Sentir que a noite acaba a cada alvorada
Quero Amar-te,
Sem pressa, rasgando o pó dos caminhos
Deixando que o tempo nos charrue a pele e nos crave espinhos
Quero Amar-te
Na manhã soalheira ou sob o pó do luar
Caminhando a teu lado num simples partilhar
 
Fernanda Paixão
27-01-2014
 
 
 
 
 

domingo, 19 de janeiro de 2014

De ti


Para ti Princesa Catarina,
porque a Saudade Dói, e esta, imagino, é Enorme
 

 

 

Deixo vaguear a minha alma

Persistente em perder-se sem mim

Quando em dor o coração arde de uma ausência sem fim.

E na solidão da noite, quando as lagrimas caem pesadas,

E o corpo não me pertence,

Vogo contigo nesta saudade que me vence.

Sinto-te perto, aqui, num afago,

Nas palavras que tecias para mim

Feitas de um fio, qual cordão umbilical

Desse amor que será imortal.

E no meu corpo de menina, que embalavas no calor dos teus braços,

Nos meus olhos que, apenas, parecem sorrir

Clamo por ti, não percebo porque partiste assim.

Vejo os teus olhos meigos no brilho do sol,

O sussurrar da tua voz na brisa do vento

Recebo, doces, os teus beijos que perpetuas no firmamento.

Sinto-te aqui junto de mim.

Porque, meu bem-querer, sei-te meu querubim.

 

Fernanda Paixão

19-01-2014

 

 

 

 

 

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Este Tempo

 
 
 
Discorre este tempo,
Ausente de mim!
Sou-lhe indiferente,
Um nada sem fim!
 
Discorre este tempo
Em fitas de cetim,
Escrevendo a história
Em folhas de pasquim!
 
Este tempo que sobeja se lento,
Em rasgos de opressão,
Urge apressado
Em cada jubilação!
 
Discorre este tempo
Numa dança, em festim!
Sou-lhe infiel
Não se apercebe de mim!
 
E na letargia de alvores
Vagueia este tempo
Manchado de cores
Pois nele residem tantos amores!
 
Cabem no tempo todos os ecos,
as vozes dissonantes,
 os ensejos gorados
E as lágrimas concomitantes!
 
Neste tempo, carrasco da vida
Em que hei-de soçobrar
Navega a minha alma,
que, volúvel, insiste em vogar!
 
Discorre este tempo,
Ausente de mim!
Sou-lhe indiferente,
Um nada sem fim!
14.01.2014
Fernanda Paixão
 



sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Brilhos e Luzes





Abraça-me,
Que faz tanto frio,
Parece que está a nevar!
Põe a tua mão na minha …
Ajuda-me a caminhar!

Os meus passos incertos,
são torpes e de gente “pequena”,
de quem mal sabe contar.
Perdi a noção do tempo,
Já não sei se sei orar.
Tinha fome e tanta sede
… o tempo fez-me sarar,
ficou o frio da noite
teimando em pernoitar.
Tenho olhos de olhar triste,
com o vítreo macilento;
mãos tementes no escuro,
presas na vida em que me acorrento.

Lá dentro há brilhos e luz,
Há cheiros e risos no ar.
Há caminhos já percorridos
Ou mistérios por desvendar.
Junto à madeira a crepitar
Há papéis e laços de enfeite,
Há umas mãos cheias, sem nada e
Outras com afagos para dar.

Se me vires, sumiço na Rua,
sozinho e a naufragar,
Ou deitado nas pedras do chão
Atreve-te, dá-me um sorriso,
Acalenta-me o coração.

Fernanda Paixão

2013 -12-17