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Quarta-feira, 23 de Maio de 2012

Bola de Sabão



Sonho que tenho na mão
Uma frágil bola de sabão
E quando olho através dela
Vejo nítida a tua janela
Que aberta à luz do dia
Permite que eu sorria
E caminhe ao teu encontro
E me aconchegue no teu ombro,
Que me devolvas o olhar,
E preenchas o meu mar,
E me leves a flutuar
Que me faças acreditar
No sortilégio de Amar.

E então
Sopro a frágil bola de sabão
E num voo singelo e alquimia
Rasgo um sorriso de alegria

Fernanda Paixão
21-05-2012

Terça-feira, 15 de Maio de 2012

Carcaça, Corpo de Mulher




Carcaça, Corpo de Mulher

A todas as mulheres que sem viver passam pela vida, diz-se que em nome do Amor …


Moras em mim.
As tuas mãos deixaram as marcas que não consigo lavar.
Os meus olhos, que aclaravam a alma, secaram de desengano e mágoa.
A minha boca, que se abria no encontro da tua, selou-se. Morreu em clausura.
O meu corpo, de que te serviste e no qual gravaste a tua ira, jaz moribundo do amor doente que me sufocou.
A minha alma partiu, deixou-me sozinha contigo ao meu lado. Sou um pedaço de carne despedaçado.
Moras em mim, no corpo que tomaste como teu. Num corpo que abandonei porque o ceifaste.
Moras em mim, num corpo vazio. Um corpo sangrado, insensível e frio.
Moras em mim, mas não te pertenço … Tens apenas a carcaça do que fui e me venço.


Fernanda Paixão
2012-04-02

Quinta-feira, 10 de Maio de 2012

Não te vejo



Procuro nos teus olhos
A verdade que não me dirão
Procuro em vão
Procuro onde nada do que procuro existe,
Os teus olhos de quimera triste.
Procuro em vão
Procuro o que pensei encontrar
O que te negas a mostrar.
Procuro em vão
Procuro os teus olhos 
Procuro a certeza por detrás da fachada
Mas tu partiste, manténs a porta fechada.
E eu que procuro a razão deste ser
Vou para o meu mundo, não quero sofrer
E se algum dia os teus olhos encontrar
Sei que eles estarão a sangrar
Procuro os teus olhos
Procuro em vão
Os teus olhos partiram, já cá não estão
Deixaste um vazio, a escuridão.

By Fernanda Paixão
01-09-11


Domingo, 6 de Maio de 2012

Mãe é SER Maior


Mãe é SER Maior



No teu ventre, ofertado ao portento de Ser,
Maior que vida, mais que Amor,
Cindes de ti um quinhão ao mundo
Que nunca deixará de ser teu.
De entre os teus seios,
Sortilégios de calma,
Apaziguadores do pranto e do medo,
Pulsa um coração em genuína rendição.

Nos braços, os teus, nos quais desfolhamos,
Mitiga-se a dor e
Embalamo-nos em palavras que o mundo ignora.
Desenhamos o caminho da nossa jornada,
Esquivamos, para eles, cada chicotada.

Da tua boca trazemos o verbo,
Da tua alma a dileção.
E o mundo em crescendo,
De ti se olvida, porque te olvidas de ti,
E te anulas numa vida que outra vida trará.

E porque és grande permites que sejam maiores

Mãe é SER maior na abnegação

Fernanda Paixão
08-05-2012

Quinta-feira, 3 de Maio de 2012

SABOR A TI



Sabor a ti

Sabor a ti…
Não sabe a mel nem a fel
Não sabe a terra nem a céu
Nem ao calor da tua pele.
Sabe às mãos que me afagam
E às palavras que me embalam.
Sabe ao ombro que me recolhe
E ao peito que me escolhe.
Sabe ao olhar que me entende
E a um beijo que me atende
Sabe a dor na tua ausência
E à cor da tua essência
Sabe a tons do arco-íris
Sabe a paz e a confidência
Sabe a dádiva e a carinho
Sabe ao Amor em que me aninho
                                                                                                                 
Fernanda Paixão
02-05-2012

Domingo, 29 de Abril de 2012

Descobri-te


Descobri-te

Descobri-te,
desnuda, coberta com pó.
Deitada no chão,
enrolada, sem dó.
Talvez a idade te tenha tombado e
A minha indiferença te tenha calado.

Descobri-te,
esquecida, és-me indiferente
Na tua ausência tornei-me em crescente.

Descobri-te,
pequena, mirrada e em pranto
Trazias nos olhos o meu desencanto.

Descobri-te
Fechada e voltei a esconder-te
Não quis no seio voltar a acolher-te

Mágoa


Fernanda Paixão
20120218

Quarta-feira, 25 de Abril de 2012

LIBERDADE



Tenho pressa.
Deixem passar!
Persigo o tempo,
que não consigo parar.
Trago ilusões no regaço,
Na boca verdades que querem ser salvas.
Guardo sonhos que se acotovelam
Numa pressa de alvorecer.
Tenho palavras arrumadas
Pela ansia de viver.
Nas mãos tenho o trabalho
De uma vida a suceder.
Nos olhos cintilam as lágrimas,
 que o mundo há-de verter
Os gritos que o medo cala,
apenas me fazem sofrer.
Deixem passar
Que tenho pressa
Uma vida para viver
Na justiça e na verdade
Em respeito e dignidade
Haverá um dia LIBERDADE

Fernanda Paixão
25-04-2012