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quarta-feira, 23 de março de 2016

Não sou nada



Não sou nada,
qual mortalha de carne
talhada em rigor.
Não sou nada,
mera sombra
que percorre a calçada
no enlaço do passo que imprimo a compasso!
Não sou nada,
qual enredo de fios
que se tecem ao carpir,
Não sou nada,
qual fluido meloso
de cor escarlate que me insiste residir
Não sou nada, além do sentir.
Não sou nada, além do sorrir.

Fernanda Paixão

23/03/2016 

terça-feira, 8 de março de 2016

Mulher 16





Mulher é Ser maior que o cansaço
É Ser capaz de crescer a cada fracasso
É não caber no corpo curvilíneo, contraído à doçura e ao regaço;
Mulher é:
Romã nos lábios,
Seda nas mãos,
E vida no ventre.
É um dormir alternado na inconstância do presente.
Mulher é cheiro a alfazema da pele acabada de lavar;
É sorriso franco com vontade de chorar.
Mulher é o afago que necessita ser afagado;
É o Amor que necessita ser Amado.

Fernanda Paixão
08/03/2016


sábado, 27 de fevereiro de 2016

Que me atropelo





Sei que me atropelo
Nos atropelos da vida,
Nos desígnios soprados ao meu passar;
Nos passos incertos para aonde não penso ou não quero chegar;
Sei que me atropelo
No manto com que guardo o meu sofrer
Na chave com que encerro o meu sentir
No leito em choro os meus prantos
Nos sorrisos que os outros não sabem sorrir
Sei que me atropelo
Nas escolhas que faço,
Nas entregas aos outros
Na abundância em mim;
E ainda assim,
Neste caminho em que me atropelo
Neste flagelo em que me aquartelo
Hospedo a vida em amor singelo.

By Fernanda Paixão

01-09-2011

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Gostava de ti,




Gostava de ti,
Sem mácula, justa
qual folha de papel em branco
À espera das palavras de leitura frugal.
Gostava de ti,
Quando ainda madrugada,
o sol tocava no alvo lençol que acolhia o sono
Inundando o espaço de luz ténue que permitia sonhar
Gostava de ti
Sem razão, num ímpeto
Do som, da sombra, do cheiro;
Sempre que o espelho te devolvia sem forma.
Tu singela figura indiferente
A quem os sonhos permitiam lutar
Eras tu,
de quem eu gostava de gostar.

20/10/2015
Fernanda Paixão


segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Promessas insípidas



Na incerteza do amanhã … a dúvida de se o hoje existiu.
Dia distante, longínquas palavras que a memória fez questão de apagar.
Onde és?
Percorro o horizonte e vejo apenas sombras.
Disse-te que ia!
Bastava o assombro da dúvida na curva da espera.
Não te vejo.
Partiste ou ceguei?
Fiz tantos desenhos contigo.
Imaginei cada dia expectante

Quem és tu farol de promessas insípidas?
Quis ser. Pensar-te, qual flor de pétalas coloridas ou rio de água fria.
Escrevi nos caminhos, tantas vezes doridos, com mãos guerreiras da verdade
As palavras loucas da justiça e da igualdade.
E a cada inquietação, a dor por dor que era tua também
Tolha-me os sonhos e,
Descrente,
caminho incerta no pesar que a tua boca aperta



Fernanda Paixão
28/04/2014


segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Obrigado






Obrigado a vós que me destes a vida
E me ensinaste a voar;
Obrigada a ti que és metade de mim
E me ensinaste a partilhar;
Obrigado a ti que caminhas comigo
E me ensinaste a amar;
Obrigado a ti que és tudo o que sou
E me ensinaste a abnegar;
Obrigado a ti que és um porto de abrigo
E me ensinaste a afeição;
Obrigado a ti que és o oposto de mim
E me ensinaste a aceitar;
E obrigado a ti és só falsidade
E me ensinaste a maldade;

11/10/2016
Fernanda Paixão

Natal