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quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Melodia do Mar




Perdi os teus encantos,
A noite que vem mansamente
Que canta sons de enfeitiçar
Trouxe com ela a toada do meu adejar

Perdi os afagos que deixas na areia
As melodias que repetes em cadeia
O murmúrio das ondas mais calmas
O troar que guardas de todas as almas

Perdi a espuma que agitas em tormento
A doçura de um descanso em morrinhento
O sabor salgado que nos deixas na pele
O amargo de tua fúria, quase fel

Perdi as cores que perfilhas para nós
O choro encoberto do teu verde a sós
O sorriso rasgado do azul que cintila
O negro da noite que a noite esmerila

Mas no eterno que é teu,
Na tua morrinha ou no teu apogeu
Voltarei a sonhar
                         MAR


22-07-2012 / 02-01-2013
Fernanda Paixão

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Nem Sempre


Nem Sempre

Nem sempre
A semente nascerá no jardim
nem as flores murchas encontrarão o seu fim,
Nem sempre
A chuva será nostalgia
nem o sol cintilante sinal de euforia;
Nem sempre
uma lágrima exporá a tristeza
nem um sorriso no rosto o pincelará de beleza;
Nem sempre
a verdade será fácil de ouvir
nem a mágoa simples de encobrir
Nem sempre!


Fernanda Paixão
18-12-2012

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Nada mais que Sonhar



Nada mais que sonhar

Pego na flor que emurchece,
Sob o halo de um sopro de enxofre
Devolvo um sorriso chorado,
Num grito calado de quem sofre

E da flor, entre mãos apertada
Restam pedaços escarlate
O fio da passagem arrestada
Um sopro de vida em rebate

E o caule, qual haste de ser
Da flor que na terra caiu
O fel do teu imo logrou
E uma nova natureza surgiu.

Fernanda Paixão
19-11-2012

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Maldade


Quando a maldade se apodera do homem, este só tomará conta do seu poder corrosivo quando o holocausto se instalar em seu redor e nada sobrar além de sofrimento.
Fernanda Paixão
24-10-2012

Sofrer


Às vezes choro, recolho-me, isolo-me na solidão, para não sofrer, mas muitas outras vezes sofrendo para não fazer sofrer.

Fernanda Paixão
24-10-2012

sábado, 20 de outubro de 2012

QUERUBIM


Querubim

Se te desse a minha mão
Sôfrega de um carinho,
Caminhavas ao meu lado
No meu ermo e longo caminho?

E de mão na mão partilhada,
Em silêncio, só, a dois
Acalmavas os meus medos
Sorrias-me meigamente depois?

Se te desse o meu abraço
Sedento de intenso calor
Afagavas-me no teu peito
Mitigavas em afetos o meu tremor?

E abraçados num só
Embalados em compassos lacónicos
Permanecias, meigo, ao meu lado
Afastavas os meus demónios?

Se te afagasse os contornos da face
Sob a delicada Luz do luar
E Lesse as palavras e a luz dos teus olhos
Acolhias as lágrimas que me teimam abrasar?

E se beijasse a tua boca
Qual pele em mel e cetim
Dançavas, flutuavas, comigo
Sobre flores ou nuvens, suspensas, carmim?

Se me perder por aí
Qual reta ou traço sem fim
Arriscas e prometes-me Amor,
Existir … Ser o meu Querubim?

19-10-2012
Fernanda Paixão

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Quando tudo Acabar



Quando tudo acabar

E quando tudo acabar,
Quando nada mais sobrar
para amar
O céu vai chover
Crivar a terra
com grossas gotas de água
e
nem uma lagrima derramar
e
O mar vai abrir-se
esventrar as entranhas que calou
para nos fazer sonhar.
E
quando tudo acabar,
Qual campo de trigo amarelo
acabado de ceifar,
O bafo do ar quente
queimará pensamentos que,
perdidos,
teimam flutuar,
E o sopro ultimo da voz
Arrancado com dor e sangue
Ecoará,
Um recomeçar,
Para Amar.

17-10-12
Fernanda Paixão