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quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Quem és tu Sonho?




Quem és tu?
Que me bates à porta quando estou a sonhar!
Que me falas baixinho para me embalar!
Que me deixas o aroma do teu serpentear!

Quem és tu?
Que sem nada dizer me preenches a noite!
Que sem me tocar me dás um açoite!
Que sem me olhar fazes com que pernoite!

Quem és tu?
Intruso do breu, do mistério chegado!
Caminhante invisível, saltimbanco arreigado!

Quem és tu
Que me fazes sorrir
Que me fazes chorar
Que me fazes voar?

Quem és tu Sonho?

By Fernanda Paixão
20/09/2010

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Envelhecer




Queima-me a dor

Engelha-me a pele

Engrossam os dedos

Sem que me flagele

Fraquejam-me as forças

E o coração

Os cabelos já brancos

Por antecipação

O corpo mudou

Avalio a mudança

Eu quero ficar

Para sempre criança!

As manchas na pele

O cansaço constante

A força que falta

O ficar dissonante

O corpo definha

Mas a alma não quer

Recusa-se a ver

Para onde caminha

O corpo não deixa

A alma que o tenta

A alma que o julga

E que o alimenta

O corpo aparenta a sua idade

Na alma perdura a jovialidade.

Se o corpo e alma acusam lembrança

Eu quero ficar para sempre criança!


By Fernanda Paixão

2010-06-20

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Mendigo



O seu pensamento é vazio
A sua vida incompleta.
O seu olhar é sombrio
E o seu corpo doentio.
O seu passo é incerto
O seu mundo um deserto.
A sua cama é de fel
Os seus lençóis são de papel.
A farpela foi-lhe dada
Maltrapilha e Aldrabada.

Ele vagueia errante
Num percurso inconstante.
E, se trôpego cai na calçada,
A custo retoma a passada.
E os seus olhos encovados,
Já sem cor e nostalgia,
Escondem o tremendo desgosto e
A falta de magia.
A vida passa-lhe ao lado
Nada lhe serve de consolo
Nada invade o seu mundo,
Feito de desconsolo,
Feito de nada e dor,
Feito de mágoa e ardor
Feito de raiva e despeito
Por todos os que como nós lhe faltam ao respeito
Descrente nos homens e em Deus,
Ele que foi esquecido pelos seus,
Espera agora indiferente
Perante os outros negligente
Que o mundo se vá fechando
E a vida se vá findando.


By Fernanda Paixão
2010-06-16

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Não sei de ti, Vida




Não sei de ti
Nem de mim
Nem do que será de nós
Não sei do hoje,
Nem do amanhã e o passado esqueci
Não sei dar-te
Nem receber-te
Não sei se te sei entender
Não sei olhar-te
Nem ignorar-te
Nem tão pouco imaginar-te

Sei-te vida agora entregue
Que ceifada me (te) vais (vou) ser
És mutante e inconstante
És bailarina ondulante
És cianeto e diamante
És aguilhão ou Paixão
És palavra por dizer!
Sei-te vida vagabunda que te perdes em perfídias
Que me levas e trazes vidas
E me fazes sorrir e sofrer!
Sei-me embriagada com teu canto
Tu que cativas com teu pranto
Qual musa, ninfa ou quebranto
E eu, trôpega, numa volúpia insuspeita sigo o rasto do teu manto
E me amarfanho ou abrilhanto, me transformo em crisanto


By Fernanda Paixão
20/09/2010

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Escrevo palavras






Aqui, olhar perdido na distância ao infinito
Torpor do corpo lânguido, caído
Aqui , entregue às palavras que o pensamento exige ditar
Alheia aos sons das falas que as gentes teimam gritar
Embalada na brisa e no som da ramagem
Escrevo as palavras sem qualquer camuflagem.
Escrevo palavras que quero dizer
Que quero que o mundo repita sem querer
Palavras idiotas, palavras tão sábias
Palavras sentidas, palavras sem lábias
Palavras soltas na aragem ….
Eu,
Tu,
Nós,
Paz,
Amor,
Verdade,
Doçura, Ternura, Candura

By Fernanda Paixão
20/09/2010

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Eu





Quem sou?
Perguntas e eu não sei responder
Onde vou?
Onde a vida me levar!
Onde estou
Onde não quero estar!
O que não digo ou prefiro calar
O que tolero para a vida ganhar…
Cobardia?
Talvez falta de ousadia…
Ou apenas utopia…

Estou cansada de lutar!
Estou cansada de sonhar!
Sonhar com a justiça,
Sonhar com a verdade sem cobiça!
Sonhar com a rectidão
Sonhar com tanta paixão!

Não suporto a mentira
Não suporto a hipocrisia,
Não suporto a subserviência
Nem a falta de consciência
Não suporto a indiferença
Nem a falta de presença
Dos que nos mandam calar
Dos que fingem que não vêem
Dos que sem mérito ou valor
Nos humilham sem pudor.

Não quero chorar sequer
Não vou unir-me nem fingir
Vou tão-somente ignorar e acabar por me rir
Dos que preencheram o coração com o peso da ambição!



By Fernanda Paixão
2010-06-16

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Goste de Ti




Deixa que goste de ti,
Que te dê um sorriso, que não tens que entregar!
Deixa que goste de ti,
Que te dê a mão,
Que chore contigo nos dias que parecem não acabar!
Deixa que goste de ti,
Que caminhe a teu lado,
Que percorra o caminho sentido o teu fado!
Deixa que goste de ti,
Que seja a sombra que te acompanha em silêncio,
E mesmo muda ou gritando o teu nome
Que goste de ti

By Fernanda Paixão
11/09/2011