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segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Promessas insípidas



Na incerteza do amanhã … a dúvida de se o hoje existiu.
Dia distante, longínquas palavras que a memória fez questão de apagar.
Onde és?
Percorro o horizonte e vejo apenas sombras.
Disse-te que ia!
Bastava o assombro da dúvida na curva da espera.
Não te vejo.
Partiste ou ceguei?
Fiz tantos desenhos contigo.
Imaginei cada dia expectante

Quem és tu farol de promessas insípidas?
Quis ser. Pensar-te, qual flor de pétalas coloridas ou rio de água fria.
Escrevi nos caminhos, tantas vezes doridos, com mãos guerreiras da verdade
As palavras loucas da justiça e da igualdade.
E a cada inquietação, a dor por dor que era tua também
Tolha-me os sonhos e,
Descrente,
caminho incerta no pesar que a tua boca aperta



Fernanda Paixão
28/04/2014


segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Obrigado






Obrigado a vós que me destes a vida
E me ensinaste a voar;
Obrigada a ti que és metade de mim
E me ensinaste a partilhar;
Obrigado a ti que caminhas comigo
E me ensinaste a amar;
Obrigado a ti que és tudo o que sou
E me ensinaste a abnegar;
Obrigado a ti que és um porto de abrigo
E me ensinaste a afeição;
Obrigado a ti que és o oposto de mim
E me ensinaste a aceitar;
E obrigado a ti és só falsidade
E me ensinaste a maldade;

11/10/2016
Fernanda Paixão

Natal

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Maqueta Imperfeita





Apenas te posso dar o que sou,
Quiçá maqueta imperfeita
De uma obra por terminar,
Um livro de folhas cosidas
Com paginas por desvendar

Mas o barro de que sou feita,
Sem molde, forma ou padrão
Adapta-se de forma perfeita
À forma da tua mão.

E quando eu quiser abater
De dor, tristeza ou viver,
Ou se a cor do meu halo esbater
Sê de novo o meu escultor
Dá-me a forma do amor.

Fernanda Paixão
01/12/2015

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Céu Azul



Peguei num pincel
Que mergulhei na cor azul.
Quisera pintar o céu que,
colhido em tons de cinza,
escondera o teu o sul!
Subi a uma nuvem que equilibrei na ponta da escada.
E deste equilíbrio resultou? Nada!
O céu que era teu fugiu-me da cor
Chorou-me a água de tua dor
E assim, como que por magia,
Olhando pró chão alagado, incolor
Vi o teu céu, de olhar opressor.
Peguei no pincel, ainda com cor,
E sem perder tempo, nem só um momento
cheguei ao teu céu
que agora era meu
Pintei-o de azul …fruído apogeu

Fernanda Paixão

22/10/2015

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Onde estás tu omnipresente?





Triste,
de uma tristeza profunda
Daquelas que nos arrancam as entranhas e nos queimam a alma.
Daquelas tristezas que cavam valados dentro de nós
Que nos arrancam o coração com a mão cheia,
Oh vai-te embora bruxuleia
Triste,
De uma tristeza que corcunda,
Que nos põe na lama de tanto pesar
Que nos tira o folego de tanto chorar
Que nos grita a dor ao debelar….
Oh vai-te embora bruxuleia
Triste,
De uma tristeza infinita
Daquelas que nos amarram as mãos e nos roubam certezas
Daquelas tristezas que explodem o mundo expondo
Que nos marcam com ferros as suas cruezas
Oh vai-te embora bruxuleia
Triste,
Cansada,
Descrente
Onde estás tu omnipresente?
Oh vai-te embora bruxuleia
Fernanda Paixão

23/10/2015

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Vida












Vida

Deixa que a vida corra,
livre, solta, fora do leito
e que transborde
e fecunde os campos
que te circundam,
que encha as tuas mãos
de simples nadas feitos da luz da lua
e que te pinte papoilas nas faces.
Deixa que a vida te banhe,
que te fecunde de borboletas
 e te desenhe sois de inverno nos pés.
Deixa que a vida te dance numa valsa em tons de azul
e te borde botões de rosa nos dedos das mãos.
Deixa que a vida te sobre,
que perdure e te transcenda
Deixa que a vida te surpreenda
e ri
e chora
e espera-a a cada hora

Fernanda Paixão

06/10/2015