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quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Os Instalados e os Outsider







A organização da sociedade assenta no grupo e o estabelecimento dos grupos assenta em vontades e objectivos que lhes são, ao grupo, transversais.


A formação do grupo, dos “Estabelecidos”, assenta na obtenção e, ou, detenção do poder e na protecção de interesses comuns.


A coesão do grupo é tanto maior quanto maior for o poder e o aporte de cada membro para instalação ou protecção desse mesmo poder. Os líderes dos “Estabelecidos” são proclamados entre os membros detentores do maior poder. São tanto mais venerados quanto maior for o contributo para o grupo e para as praticas comuns.


A união do grupo é mantida pelo processo de estigmatização, humilhação e difamação dos denominados “outsiders” e é alimentado por uma barreira afectiva que impossibilita a aproximação, o conhecimento e gera o preconceito.


As tentativas de aproximação dos elementos do grupo com os “outsiders” são entendidas como desonra, fraqueza, deslealdade.


A calúnia, a difamação e a marginalização que o grupo dedica aos outsiders constitui um dos pilares da sua existência e da sua coesão. Os temas “grupais” passam, invariavelmente, pela ridicularização dos outsider, pela sua diminuição, seja ela física, psicológica, familiar, religiosa, politica ou de opção sexual.


As práticas do grupo perante os outsiders assemelham-se a práticas tribais de perseguição e caça ou de marcação de poder e território.


Os instalados adoptam o mecanismo de angariação de membros, através dos referidos mecanismos de calúnia, garantindo a manutenção do estatuto e aumento de poder.


O grupo (os “instalados”) não vive sem alvos, sem outsiders em quem vazar o escárnio. Por norma o grupo "adopta" um, dois ou três outsiders que lhe sejam próximos como alvo das investidas e escarneia de todos os outsideres que puder.


As reuniões dos instalados são, quase sempre, atravessadas por temas relacionadas com os outsiders, constituindo gáudio dos congéneres toda a devassa e achincalhamento destes.


As repercussões das atitudes repetitivas do grupo sobre os outsiders conduzem à marginalização e ao sofrimento solitário gerando, muitas vezes, atitudes radicalizadas, como forma de defesa e de escape, ou mesmo à degradação do "outsider".


A necessidade de ser “Incluso” leva à adesão de novos membros ao grupo e à adopção da mesma "moral".



F.E.P
16/10/2013

domingo, 6 de outubro de 2013

De Ti



De ti

De ti nascem as lágrimas
Qual rio de água fria
Orlado de verde orvalhado
Com cheiro a terra e erva-doce
Mistura da tua alquimia
Rio levado nas mãos,
delicado,
lava as chagas de dor,
de Amor,
do pecado

De ti nasce a doçura
Feita do pó do teu abraço
Suave afecto, magia,
Bem-querer em que me desfaço.

05/10/2013

By Fernanda Paixão

sábado, 21 de setembro de 2013

Lobos




Na solidão das palavras
Definha-se.
São armas poucas nesta díspar batalha perdida.
Todos se escondem se a verdade se impõe;
São lobos.
Alcateias ávidas.
Cegos.
A luz que os ofusca incendeia.
O grito dos outros é-lhes surdo.
O espelho da vaidade impede-os de atentar
E, quais matilhas guiadas,
Caminham insensíveis às brasas que lhes ardem os pés.
Uivos salivantes, gulosos do poder perfilado no horizonte
Rasgam a carne dos nus, despojados nos degraus das escadas
E as paredes da injustiça nunca serão derrubadas.


By Fernanda Paixão

2013/09/17

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Este Arroio




Corre lento este arroio
Sem premência ou euforia
Leva vontade, sentimento
Outra cousa que água fria

Roça o dique e o transpõe
Sem que lhe impeça o destino
Corre lento este arroio
Num discorrer cristalino

Sulca fundo no seu leito
Sem entrevir qualquer fado
Corre lento este arroio
Contínua inconformado

By Fernanda Paixão
11/09/2013

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Quando tudo Acaba





Quando tudo Acaba

Quando tudo acaba …
Fica o vazio,
O pó que insiste em bailar,
O olhar no infinito a quer repousar
O raio de sol que parece queimar!
Ficam as notas tocadas em ré,
Os desejos caídos na margem, sem fé.
Fica o passado gravado na mente,
A lembrança que nos deixa dormente!
Quando tudo acaba …
Fica uma névoa desfiada nos olhos
Pântanos sombrios de tristeza em molhos.
Fica um deserto de ausência infinita
Um sonho rendido ou um corpo que gravita.
Ficam verdades daquilo que foi
As dedadas na pele que, de dor, se corrói.
Ficam as palavras que não se disseram
Ficam sorrisos perdidos no ar
Ficam fantasmas a sobrevoar


By Fernanda Paixão
27-12-2011

segunda-feira, 17 de junho de 2013

UM BEIJO




Um beijo …
Um beijo, nunca é só.
Tem com ele tantas palavras.
Umas por dizer,
Tantas outras declaradas
E as desenhadas num pedaço de papel.
Um beijo …
Coisa simples, essa do beijo!
Ou anátema de emoções?
Um beijo, 
Aquele, simples, que se entrega por aí;
O galante, em desuso, suavizado nas costas da mão;
O que se atira soprado no ar e que alguém há-de apanhar;
O infantil, de baba e muco, e pura magia;
Um beijo …
Aquele, o primeiro, que será eterno;
O roubado ou dissimulado;
O que selou silêncios e tantos segredos;
O que desvendou mistérios e factos mais sérios;
O que foi transgressor e fez promessas de Amor …
Um beijo ….
Matéria complexa a simplicidade de um beijo.

Fernanda Paixão

14-06-2013

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Abraçados





Beijo teus olhos que dormem
E o teu corpo que neles se embala.
Toco ao de leve os teus dedos
E brinco na palma da tua mão.
Desenhos que faço, tão calmos,
Ficam-te marcados na pele.
Sussurro palavras e
Agitas o corpo esquecido,
Roças os alvos lençóis.
Vincos, mais vincos e pregas,
Rodas o corpo dormente,
E a tua alma aquiescente e  
A tua boca conivente
Entregam-se na procura de um beijo.
Descanso meus lábios nos teus,
Entrelaçamos os dedos da nervosos,
Aninho-me nos por teus braços, ainda Morfeus.
Lá fora nada se renova
Ninguém se altera e as horas avançam
e nós aqui embalados num doce torpor
Fingimos.
Fingimos que somos só nós …


By Fernanda Paixão

31-09-2011