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sábado, 21 de setembro de 2013

Lobos




Na solidão das palavras
Definha-se.
São armas poucas nesta díspar batalha perdida.
Todos se escondem se a verdade se impõe;
São lobos.
Alcateias ávidas.
Cegos.
A luz que os ofusca incendeia.
O grito dos outros é-lhes surdo.
O espelho da vaidade impede-os de atentar
E, quais matilhas guiadas,
Caminham insensíveis às brasas que lhes ardem os pés.
Uivos salivantes, gulosos do poder perfilado no horizonte
Rasgam a carne dos nus, despojados nos degraus das escadas
E as paredes da injustiça nunca serão derrubadas.


By Fernanda Paixão

2013/09/17

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Este Arroio




Corre lento este arroio
Sem premência ou euforia
Leva vontade, sentimento
Outra cousa que água fria

Roça o dique e o transpõe
Sem que lhe impeça o destino
Corre lento este arroio
Num discorrer cristalino

Sulca fundo no seu leito
Sem entrevir qualquer fado
Corre lento este arroio
Contínua inconformado

By Fernanda Paixão
11/09/2013

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Quando tudo Acaba





Quando tudo Acaba

Quando tudo acaba …
Fica o vazio,
O pó que insiste em bailar,
O olhar no infinito a quer repousar
O raio de sol que parece queimar!
Ficam as notas tocadas em ré,
Os desejos caídos na margem, sem fé.
Fica o passado gravado na mente,
A lembrança que nos deixa dormente!
Quando tudo acaba …
Fica uma névoa desfiada nos olhos
Pântanos sombrios de tristeza em molhos.
Fica um deserto de ausência infinita
Um sonho rendido ou um corpo que gravita.
Ficam verdades daquilo que foi
As dedadas na pele que, de dor, se corrói.
Ficam as palavras que não se disseram
Ficam sorrisos perdidos no ar
Ficam fantasmas a sobrevoar


By Fernanda Paixão
27-12-2011

segunda-feira, 17 de junho de 2013

UM BEIJO




Um beijo …
Um beijo, nunca é só.
Tem com ele tantas palavras.
Umas por dizer,
Tantas outras declaradas
E as desenhadas num pedaço de papel.
Um beijo …
Coisa simples, essa do beijo!
Ou anátema de emoções?
Um beijo, 
Aquele, simples, que se entrega por aí;
O galante, em desuso, suavizado nas costas da mão;
O que se atira soprado no ar e que alguém há-de apanhar;
O infantil, de baba e muco, e pura magia;
Um beijo …
Aquele, o primeiro, que será eterno;
O roubado ou dissimulado;
O que selou silêncios e tantos segredos;
O que desvendou mistérios e factos mais sérios;
O que foi transgressor e fez promessas de Amor …
Um beijo ….
Matéria complexa a simplicidade de um beijo.

Fernanda Paixão

14-06-2013

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Abraçados





Beijo teus olhos que dormem
E o teu corpo que neles se embala.
Toco ao de leve os teus dedos
E brinco na palma da tua mão.
Desenhos que faço, tão calmos,
Ficam-te marcados na pele.
Sussurro palavras e
Agitas o corpo esquecido,
Roças os alvos lençóis.
Vincos, mais vincos e pregas,
Rodas o corpo dormente,
E a tua alma aquiescente e  
A tua boca conivente
Entregam-se na procura de um beijo.
Descanso meus lábios nos teus,
Entrelaçamos os dedos da nervosos,
Aninho-me nos por teus braços, ainda Morfeus.
Lá fora nada se renova
Ninguém se altera e as horas avançam
e nós aqui embalados num doce torpor
Fingimos.
Fingimos que somos só nós …


By Fernanda Paixão

31-09-2011

terça-feira, 21 de maio de 2013

Mapear o teu Eu






Mapeio o teu rosto
E ensaio fruí-lo para sempre

Mapeio cada sinal,
Cada ruga vincada na pele
Cada mancha pintada a cinzel
Mapeio cada  sombra da ausência da luz
Os sulcos das lágrima a que te expus
Os teus olhos sinceros nos meus seminus
Mapeio o teu comungar,
o teu sorriso, o teu conversar
Mapeio os teus lábios que,
em silêncio me sabem falar.
De ti, guardarei a imagem perfeita
A doçura e a calma que me deleita
E do mapa de ti se guiará a minha alma imperfeita

Fernanda Paixão
20-05-2013

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Poema Matemático Rápido


Via-se apenas rabisco,
Pobre linha feita traço,
Que num número complexo
Derivou em ângulo convexo
Sem ser integral de função!
Ponto a ponto,
Sem reticências
Operando equivalências
Numa matriz de potências ou
Em somatório até n.
Adicionou-se ao maior
Intercetando o menor
Num conjunto sem parênteses
Ficou igual asterisco
Com ares de infinito expoente
Numa operação radical
De quem marca o referencial
No início ou no final.




Via-se apenas rabisco,
Pobre linha feita -,
Que num z = a + ib
d´ em AÔB < 180º
100 ser  ∫ f(x)!
.  a .
100 …
Operando ⇔(s)
Numa [x y] de n^y ou
Em ∑ até n.
+ ao >
⋂ o <
Num  {x,y} 100 ( )
Ficou = *
Com ares de oo  ^n
Numa operação√
De quem marca o (O,x,y,z)
No início ou no final.

Fernanda Paixão
2013-05-16