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segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Obrigado






Obrigado a vós que me destes a vida
E me ensinaste a voar;
Obrigada a ti que és metade de mim
E me ensinaste a partilhar;
Obrigado a ti que caminhas comigo
E me ensinaste a amar;
Obrigado a ti que és tudo o que sou
E me ensinaste a abnegar;
Obrigado a ti que és um porto de abrigo
E me ensinaste a afeição;
Obrigado a ti que és o oposto de mim
E me ensinaste a aceitar;
E obrigado a ti és só falsidade
E me ensinaste a maldade;

11/10/2016
Fernanda Paixão

Natal

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Maqueta Imperfeita





Apenas te posso dar o que sou,
Quiçá maqueta imperfeita
De uma obra por terminar,
Um livro de folhas cosidas
Com paginas por desvendar

Mas o barro de que sou feita,
Sem molde, forma ou padrão
Adapta-se de forma perfeita
À forma da tua mão.

E quando eu quiser abater
De dor, tristeza ou viver,
Ou se a cor do meu halo esbater
Sê de novo o meu escultor
Dá-me a forma do amor.

Fernanda Paixão
01/12/2015

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Céu Azul



Peguei num pincel
Que mergulhei na cor azul.
Quisera pintar o céu que,
colhido em tons de cinza,
escondera o teu o sul!
Subi a uma nuvem que equilibrei na ponta da escada.
E deste equilíbrio resultou? Nada!
O céu que era teu fugiu-me da cor
Chorou-me a água de tua dor
E assim, como que por magia,
Olhando pró chão alagado, incolor
Vi o teu céu, de olhar opressor.
Peguei no pincel, ainda com cor,
E sem perder tempo, nem só um momento
cheguei ao teu céu
que agora era meu
Pintei-o de azul …fruído apogeu

Fernanda Paixão

22/10/2015

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Onde estás tu omnipresente?





Triste,
de uma tristeza profunda
Daquelas que nos arrancam as entranhas e nos queimam a alma.
Daquelas tristezas que cavam valados dentro de nós
Que nos arrancam o coração com a mão cheia,
Oh vai-te embora bruxuleia
Triste,
De uma tristeza que corcunda,
Que nos põe na lama de tanto pesar
Que nos tira o folego de tanto chorar
Que nos grita a dor ao debelar….
Oh vai-te embora bruxuleia
Triste,
De uma tristeza infinita
Daquelas que nos amarram as mãos e nos roubam certezas
Daquelas tristezas que explodem o mundo expondo
Que nos marcam com ferros as suas cruezas
Oh vai-te embora bruxuleia
Triste,
Cansada,
Descrente
Onde estás tu omnipresente?
Oh vai-te embora bruxuleia
Fernanda Paixão

23/10/2015

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Vida












Vida

Deixa que a vida corra,
livre, solta, fora do leito
e que transborde
e fecunde os campos
que te circundam,
que encha as tuas mãos
de simples nadas feitos da luz da lua
e que te pinte papoilas nas faces.
Deixa que a vida te banhe,
que te fecunde de borboletas
 e te desenhe sois de inverno nos pés.
Deixa que a vida te dance numa valsa em tons de azul
e te borde botões de rosa nos dedos das mãos.
Deixa que a vida te sobre,
que perdure e te transcenda
Deixa que a vida te surpreenda
e ri
e chora
e espera-a a cada hora

Fernanda Paixão

06/10/2015

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Gente Inocente






De todas as palavras do mundo

As caladas dentro do peito

Juntas, fechadas em conceito

Contristem sem qualquer preceito.

E a orada explícita e eminente

Liberta, vera, independente

De nada serve o eloquente

Visado pela boca malevolente.

O povo, ávido e maledicente

Desprovido de capacidade discernente

Toma partido perfidamente

Dos que lhe servirão a corrente.

E se a rua se lava de gente

Desnuda, só, aparente

Logo aparece quem porta

Na mão uma lança pungente

Que em laçada, nó ou pendente

Se agita e lança frivolamente

Sem fé, crença ou promitente

Sangrando a carne inocente.



Fernanda Paixão 

15/09/2015