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quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Hoje Naufragantes





Hoje Naufragantes

Hoje,
Naufragantes,
Caminhantes de um trilho sem Luz
Sombras de uma adolescência perdida
Choramos a mágoa da fraqueza assistida
Hoje,
Jazidas da corrente da vida
Clandestinos numa sociedade suicida
Aclaramos os olhos com a lágrima dorida
Hoje,
Perdidos na penumbra da fraqueza humana
Afastamos o véu de uma bruma leviana

Fernanda Paixão
2012-09-20



terça-feira, 18 de setembro de 2012

Ainda Assim


Ainda assim,
Continuo. Piso o chão que me acolhe, na queda;
Olho o espelho que me devolve. Sorvo da caneca bocelada que liberta um fumegar turbulento.
Da janela, com vidros pungentes e caixilhos de tinta solta, esfarripam-se raios de um sol que se ofusca.
Sobre a mesa pairam folhas. Papel do foi. Histórias que mais não são que um passado.
No ar vacilam, sons que se confundem com as memórias de uma realidade que nunca existiu.
No alvoroço provocado pelo sopro do vendo lançam-se desejos, ensejos de amanhã.

Fernanda Paixão
20120918

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Já Vais Longe meu Amor





Já vais longe meu amor
Já não ouves as palavras que tarde te falei
Já não ouves as ondas dos meus passos no enlace dos teus.
Já não vês os meus olhos que te procuram na linha do horizonte
Já não vês as minhas mãos que as tuas desejam, nem os meus lábios que pelos teus ensejam

Já vais longe meu amor
Os passos que te levaram no alento do tempo
Deixaram-me na entrega cobarde ao pranto que me negou a partida
Já vais longe meu amor
Fica de ti lembrança do que foste, o sonho de um dia aprazado, o aroma doce do verão
Já vais longe e a chuva do inverno triste não tarde a cair
Já vais longe meu Amor

Fernanda Paixão
2012-08-15

domingo, 19 de agosto de 2012

Castelos



Castelos

Castelos que traço no ar
Suspensos de fios de seda, que a mente teima fiar
Castelos de ameias suaves, feiticeiras,
Que sob os raios de sol teimam brilhar

Desenho Castelos em cima das nuvens
Castelos leves, de traços cuidados,
Muralhas de vidro, portas abertas,
Pinceladas da alma que insisto sonhar
Recantos secretos, refúgios profanos
Intimas alcovas para os meus desenganos
Castelos tão frágeis, feitos de fantasiar
Numa insistente demanda de o mundo mudar

Fernanda Paixão
2012-08-04

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Tamanho da Alma



Trago em mim algo maior,
Algo que me alegra ou me dói,
Que me cresce ou me corrói,
Algo que me obriga a ponderar,
Que me faz acreditar.

Algo de um tamanho sem medida
Que me aconselha ou trucida
E que em permanente investida
Me eleva no fado na vida

A alma que caminha comigo
No corpo que lhe serve de abrigo
Traja os meus olhos e a pele que me despe
Partilha a almofada e a noite agreste

A alma que em paz me adormece
E transborda num juízo tranquilo
Acalma o coração que ferido
Se aperta num ferimento sentido.

A alma que alimenta o meu ser
Que orienta o meu querer
Deixa que prossiga tranquila
Que não tenha nada a temer.

Fernanda Paixão
2012-07-21


quarta-feira, 4 de julho de 2012

Verdade




Só a verdade me interessa,
Nua,
Despida de andrajos.
Dura.
Cruel,
que traga palavras escritas com fel!
Só a verdade me interessa,
Que rasgue sorrisos,
Ou me lave em prantos
Que não quebre os meus encantos!
Só a verdade me interessa,
Transparente,
Sem nada a esconder,
Dela não há a temer.


By Fernanda Paixão
04-07-2012

terça-feira, 19 de junho de 2012

Gosto de ti ... Assim




Gosto
de ver-te passar
De saber-te a sorrir
Gosto
Do teu abraço aberto,
Dos teus olhos brilhantes,
Do teu passo apressado,
do teu jeito aprumado
De quem está a florir
Gosto
De saber-te eloquente
De ouvir-te exigente
Do pensamento lavado
Do teu olhar arrojado
Do falar atalhado
De quem está empenhado em não desistir

Gosto da tua inocência,
do teu sorriso rasgado
ou do teu ar enfadado
Do barafustar enraizado
no exigir afincado
De quem leva a vida ao lado
Gosto de ti … assim

By Fernanda Paixão

2011-12-09