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quinta-feira, 26 de julho de 2012

Tamanho da Alma



Trago em mim algo maior,
Algo que me alegra ou me dói,
Que me cresce ou me corrói,
Algo que me obriga a ponderar,
Que me faz acreditar.

Algo de um tamanho sem medida
Que me aconselha ou trucida
E que em permanente investida
Me eleva no fado na vida

A alma que caminha comigo
No corpo que lhe serve de abrigo
Traja os meus olhos e a pele que me despe
Partilha a almofada e a noite agreste

A alma que em paz me adormece
E transborda num juízo tranquilo
Acalma o coração que ferido
Se aperta num ferimento sentido.

A alma que alimenta o meu ser
Que orienta o meu querer
Deixa que prossiga tranquila
Que não tenha nada a temer.

Fernanda Paixão
2012-07-21


quarta-feira, 4 de julho de 2012

Verdade




Só a verdade me interessa,
Nua,
Despida de andrajos.
Dura.
Cruel,
que traga palavras escritas com fel!
Só a verdade me interessa,
Que rasgue sorrisos,
Ou me lave em prantos
Que não quebre os meus encantos!
Só a verdade me interessa,
Transparente,
Sem nada a esconder,
Dela não há a temer.


By Fernanda Paixão
04-07-2012

terça-feira, 19 de junho de 2012

Gosto de ti ... Assim




Gosto
de ver-te passar
De saber-te a sorrir
Gosto
Do teu abraço aberto,
Dos teus olhos brilhantes,
Do teu passo apressado,
do teu jeito aprumado
De quem está a florir
Gosto
De saber-te eloquente
De ouvir-te exigente
Do pensamento lavado
Do teu olhar arrojado
Do falar atalhado
De quem está empenhado em não desistir

Gosto da tua inocência,
do teu sorriso rasgado
ou do teu ar enfadado
Do barafustar enraizado
no exigir afincado
De quem leva a vida ao lado
Gosto de ti … assim

By Fernanda Paixão

2011-12-09



terça-feira, 29 de maio de 2012





“Desilusão só acontece porque depositamos espectativas nos outros. Preferível é sermos felizes por nós e nada  dos outros esperar. Ninguém nos dará aquilo que sonhamos ter.”
Fernanda Paixão
29/05/2012

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Bola de Sabão



Sonho que tenho na mão
Uma frágil bola de sabão
E quando olho através dela
Vejo nítida a tua janela
Que aberta à luz do dia
Permite que eu sorria
E caminhe ao teu encontro
E me aconchegue no teu ombro,
Que me devolvas o olhar,
E preenchas o meu mar,
E me leves a flutuar
Que me faças acreditar
No sortilégio de Amar.

E então
Sopro a frágil bola de sabão
E num voo singelo e alquimia
Rasgo um sorriso de alegria

Fernanda Paixão
21-05-2012

terça-feira, 15 de maio de 2012

Carcaça, Corpo de Mulher




Carcaça, Corpo de Mulher

A todas as mulheres que sem viver passam pela vida, diz-se que em nome do Amor …


Moras em mim.
As tuas mãos deixaram as marcas que não consigo lavar.
Os meus olhos, que aclaravam a alma, secaram de desengano e mágoa.
A minha boca, que se abria no encontro da tua, selou-se. Morreu em clausura.
O meu corpo, de que te serviste e no qual gravaste a tua ira, jaz moribundo do amor doente que me sufocou.
A minha alma partiu, deixou-me sozinha contigo ao meu lado. Sou um pedaço de carne despedaçado.
Moras em mim, no corpo que tomaste como teu. Num corpo que abandonei porque o ceifaste.
Moras em mim, num corpo vazio. Um corpo sangrado, insensível e frio.
Moras em mim, mas não te pertenço … Tens apenas a carcaça do que fui e me venço.


Fernanda Paixão
2012-04-02

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Não te vejo



Procuro nos teus olhos
A verdade que não me dirão
Procuro em vão
Procuro onde nada do que procuro existe,
Os teus olhos de quimera triste.
Procuro em vão
Procuro o que pensei encontrar
O que te negas a mostrar.
Procuro em vão
Procuro os teus olhos 
Procuro a certeza por detrás da fachada
Mas tu partiste, manténs a porta fechada.
E eu que procuro a razão deste ser
Vou para o meu mundo, não quero sofrer
E se algum dia os teus olhos encontrar
Sei que eles estarão a sangrar
Procuro os teus olhos
Procuro em vão
Os teus olhos partiram, já cá não estão
Deixaste um vazio, a escuridão.

By Fernanda Paixão
01-09-11