sábado, 16 de novembro de 2013
Sabes
Sabes a sal e a mar
E a margaridas do campo;
E à chuva e ao vento
E ao clamor do meu desalento
Sabes a céu e a maresia
E ao sabor da alegria;
E aos lábios que te beijo
E ao carinho que desejo.
Sabes a paz e a turbulência
E ao calor da tua essência.
Sabes que te quero a meu lado
Para ser o teu pecado.
Sabes que sim
Sabes que és tudo para mim
2013-10-30
By Fernanda Paixão
sexta-feira, 8 de novembro de 2013
Há palavras
Há
palavras que se calam
que se
guardam com tremor
ou se
vivem em horror.
Há palavras
que indizíveis
Só(s)
no silêncio se gritam
E,
ainda assim, sufocam
porquanto,
coladas ao céu-da-boca,
crepitam
em vontades
que se enrolam
em sangue quente
numa vontade,
tão, urgente.
Há palavras
levianas,
provindas
das vidas de vazias
de quem
não sentindo alegrias,
ceifam o
alento diferente
quais ociosas
alforrias
ofuscando
os olhos alheios de pranto
tais as
lucernas de desencanto
Há
palavras que se calam
Que se
guardam com tremor
Ou se
vivem em horror.
Há
palavras sem sabor!
2013-10-30
By Fernanda Paixão
quarta-feira, 16 de outubro de 2013
Os Instalados e os Outsider
A organização da sociedade assenta no grupo e o estabelecimento dos grupos assenta em vontades e objectivos que lhes são, ao grupo, transversais.
A formação do grupo, dos “Estabelecidos”, assenta na obtenção e, ou, detenção do poder e na protecção de interesses comuns.
A coesão do grupo é tanto maior quanto maior for o poder e o aporte de cada membro para instalação ou protecção desse mesmo poder. Os líderes dos “Estabelecidos” são proclamados entre os membros detentores do maior poder. São tanto mais venerados quanto maior for o contributo para o grupo e para as praticas comuns.
A união do grupo é mantida pelo processo de estigmatização, humilhação e difamação dos denominados “outsiders” e é alimentado por uma barreira afectiva que impossibilita a aproximação, o conhecimento e gera o preconceito.
As tentativas de aproximação dos elementos do grupo com os “outsiders” são entendidas como desonra, fraqueza, deslealdade.
A calúnia, a difamação e a marginalização que o grupo dedica aos outsiders constitui um dos pilares da sua existência e da sua coesão. Os temas “grupais” passam, invariavelmente, pela ridicularização dos outsider, pela sua diminuição, seja ela física, psicológica, familiar, religiosa, politica ou de opção sexual.
As práticas do grupo perante os outsiders assemelham-se a práticas tribais de perseguição e caça ou de marcação de poder e território.
Os instalados adoptam o mecanismo de angariação de membros, através dos referidos mecanismos de calúnia, garantindo a manutenção do estatuto e aumento de poder.
O grupo (os “instalados”) não vive sem alvos, sem outsiders em quem vazar o escárnio. Por norma o grupo "adopta" um, dois ou três outsiders que lhe sejam próximos como alvo das investidas e escarneia de todos os outsideres que puder.
As reuniões dos instalados são, quase sempre, atravessadas por temas relacionadas com os outsiders, constituindo gáudio dos congéneres toda a devassa e achincalhamento destes.
As repercussões das atitudes repetitivas do grupo sobre os outsiders conduzem à marginalização e ao sofrimento solitário gerando, muitas vezes, atitudes radicalizadas, como forma de defesa e de escape, ou mesmo à degradação do "outsider".
A necessidade de ser “Incluso” leva à adesão de novos membros ao grupo e à adopção da mesma "moral".
F.E.P
16/10/2013
domingo, 6 de outubro de 2013
De Ti
De ti
De ti nascem as lágrimas
Qual rio de água fria
Orlado de verde orvalhado
Com cheiro a terra e erva-doce
Mistura da tua alquimia
Rio levado nas mãos,
delicado,
lava as chagas de dor,
de Amor,
do pecado
De ti nasce a doçura
Feita do pó do teu abraço
Suave afecto, magia,
Bem-querer em que me desfaço.
05/10/2013
By Fernanda Paixão
sábado, 21 de setembro de 2013
Lobos
Na
solidão das palavras
Definha-se.
São
armas poucas nesta díspar batalha perdida.
Todos
se escondem se a verdade se impõe;
São
lobos.
Alcateias
ávidas.
Cegos.
A
luz que os ofusca incendeia.
O
grito dos outros é-lhes surdo.
O
espelho da vaidade impede-os de atentar
E,
quais matilhas guiadas,
Caminham
insensíveis às brasas que lhes ardem os pés.
Uivos
salivantes, gulosos do poder perfilado no horizonte
Rasgam
a carne dos nus, despojados nos degraus das escadas
E
as paredes da injustiça nunca serão derrubadas.
By Fernanda Paixão
2013/09/17
quarta-feira, 11 de setembro de 2013
Este Arroio
Corre lento este arroio
Sem premência ou euforia
Leva vontade, sentimento
Outra cousa que água fria
Roça o dique e o transpõe
Sem que lhe impeça o destino
Corre lento este arroio
Num discorrer cristalino
Sulca fundo no seu leito
Sem entrevir qualquer fado
Corre lento este arroio
Contínua inconformado
By Fernanda Paixão
11/09/2013
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