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domingo, 12 de setembro de 2010

Sonhadora





Hoje, tempo em que não sonho, parei!
Quis sentir quão verdadeira era a vida.
Era fria, crua, nua.
Era um vazio maior. Não o que imaginei!
Era uma tela pintada a cinzento,
Sem cor e sem alento!
Uma estátua desprovida de sentimento!
Olhei em redor…
Os olhos perscrutaram magia …
Nada! Apenas nada havia!
Assim, numa realidade sombria,
Deixando que a vida tolha ilusões
Que o mundo castre as paixões
Não sou eu…
Eu,
Sonho colorido,
Sonho sonhado,
Sonho acordado, despertado de uma vontade de nascer
Sonho entranhado … só assim sei viver.
Viver acreditando, às vezes dogmatizando
Mas sem nunca deixar de ser…
Eu!
Eu, sonhando! Sonhadora, portadora de ilusões,
Outra de muitas paixões, aquelas de me fazem dizer
É melhor sonhar e sofrer que apenas viver!

By Fernanda Paixão
11/09/2011

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Guardei Palavras






Guardei palavras
Escritas,
Faladas,
Lidas,
Declamadas,
As que me lembram-me de ti!

Guardei imagens
Impressas? Imaginadas?
As que me lembram de ti!

Guardei os sonhos, a ilusão,
Guardei toda a paixão
Que vivi, ou não
Mas que me lembram de ti

Guardei o fulgor de nós
Imprudentes
No limite do real

Guardei as palavras t(r)ocadas
Palavras simples (ir)reflectidas
Palavras loucas
Palavras que são parte de mim, de ti

By Fernanda Paixão
26/07/2010

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Luz Esparsa





Não tapes a luz esparsa e escassa
Que penetra e trespassa a escuridão do caminho
Deixa inundar a carcaça do teu ser
Solta o grito, larga a força
Rasga o elo da cadeia que te prende e aniquila
Lavra o trilho que percorres a correr
Sente o vento, sente a luz, sente a mão que te seduz
Sente o espírito, sente a arte, sente a dor que te invade
Sente o Amor que em ti Arde e … Reparte
Não tapes a luz esparsa e escassa
Abre os braços e abraça
A vida é para viver


By Fernanda Paixão
01-04-2009
(modificado 24-08-2010)

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Dor




Não me perguntes porquê
Não tenho a resposta
Não adivinhes a tristeza
Transporto-a presa
Contenho-a para não a chorar
Numa dor sofrida de tanto a calar
Roem-me as entranhas, desdobram-se em prantos
Grita-me a alma pela injustiça humana
A mutilação do justo, a condenação do honesto
Penso muitas vezes que não presto
Será que o mundo perdeu os valores?
Olho pró lado e vejo horrores
Não me perguntes porquê,
Não tenho a resposta
A soberba e a ambição são agora os valores da geração
O homem transporta o gosto da humilhação
Piso descalça o trilho da vida
Ferem-me os pés, sangra-me a alma
É a ti que peço perdão
Abdiquei de lutar e entrei-me à comiseração

By Fernanda Paixão
25/08/2010

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Tristeza 2





Tu que entras em mim sem ser avisada
Que usas chinelos bordados a prata
Afasta-te
A tua presença mata

Tu feiticeira que domas as almas
Que sendo furor pareces tão calma
Afasta-te
A tua presença mata

Tu que és rainha de um mundo sem fim
Que percorres o vazio à espera de mim
Afasta-te
A tua presença mata

Tu ò tristeza ornada a rubis
Que te camuflas em sentimentos subtis
Afasta-te de mim

By Fernanda Paixão
26/08/2010

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Palavras Mudas



Palavras mudas
Que me fazes chegar
Rasgam-me os sonhos por me acalentar

Palavras mudas
Que teimas calar
Agitam-me o ser que teima em te Amar

Palavras mudas
Que riscas para mim
Transportam o grito de um sentimento sem fim

By Fernanda Paixão
23-06-2010

Escrevo o teu nome




Escrevo o teu nome
Brinco com o lápis que se esquece entre os meus dedos
Perco-me no tempo que cada letra demora a desenhar
Floreio com doces grinaldas as Consoante e Vogais
Escrevo o teu nome
A luz inquieta fá-lo dançar, fá-lo vibrar entre sombras e cristais
O papel, antes branco, tem a textura e a cor do passado
Escrevo o teu nome
Entre goles de café, lágrimas e sorrisos
Balbucio cada letra, cada sílaba para que não me fuja
Escrevo o teu nome
Reforço o ondular das letras marcadas no papel
Escrevo o teu nome
A verde, a azul, a carmim,
Escrevo o teu nome no verde do mar, no azul do céu ou no carmim dos lábios
Fecho-o e perfumo-o com salpicos de alecrim
Alguém um dia decifrará o que significou para mim

By Fernanda Paixão
23-08-2010