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quarta-feira, 17 de abril de 2013

Procurei o Chão







Procurei o chão
que os olhos não viam
qual falácia de um tempo,
perpétuo, imortal,
uma lança tingida
de um uivo fatal.
Procurei o chão
de pedras cinzentas
despegado, infinito
com vidas suspensas.
Procurei o chão
de correntes liberto,
um trilho que fosse,
um passo inquieto.
Transpus o limite que
o bom senso talhava,
uma linha invisível
que o desejo retalhava.
Procurei um chão
Livre de clausura
sem passos impressos
orlado em candura.
Libertei-me do pó
pelas passadas içado
lancei-me no vento
sem destino traçado.
Qual folha cadente
desprendida, sem pé,
flutuo ou caio
Num eterno ensaio


Fernanda Paixão
2013-04-16