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terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Nem Sempre


Nem Sempre

Nem sempre
A semente nascerá no jardim
nem as flores murchas encontrarão o seu fim,
Nem sempre
A chuva será nostalgia
nem o sol cintilante sinal de euforia;
Nem sempre
uma lágrima exporá a tristeza
nem um sorriso no rosto o pincelará de beleza;
Nem sempre
a verdade será fácil de ouvir
nem a mágoa simples de encobrir
Nem sempre!


Fernanda Paixão
18-12-2012

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Nada mais que Sonhar



Nada mais que sonhar

Pego na flor que emurchece,
Sob o halo de um sopro de enxofre
Devolvo um sorriso chorado,
Num grito calado de quem sofre

E da flor, entre mãos apertada
Restam pedaços escarlate
O fio da passagem arrestada
Um sopro de vida em rebate

E o caule, qual haste de ser
Da flor que na terra caiu
O fel do teu imo logrou
E uma nova natureza surgiu.

Fernanda Paixão
19-11-2012

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Maldade


Quando a maldade se apodera do homem, este só tomará conta do seu poder corrosivo quando o holocausto se instalar em seu redor e nada sobrar além de sofrimento.
Fernanda Paixão
24-10-2012

Sofrer


Às vezes choro, recolho-me, isolo-me na solidão, para não sofrer, mas muitas outras vezes sofrendo para não fazer sofrer.

Fernanda Paixão
24-10-2012

sábado, 20 de outubro de 2012

QUERUBIM


Querubim

Se te desse a minha mão
Sôfrega de um carinho,
Caminhavas ao meu lado
No meu ermo e longo caminho?

E de mão na mão partilhada,
Em silêncio, só, a dois
Acalmavas os meus medos
Sorrias-me meigamente depois?

Se te desse o meu abraço
Sedento de intenso calor
Afagavas-me no teu peito
Mitigavas em afetos o meu tremor?

E abraçados num só
Embalados em compassos lacónicos
Permanecias, meigo, ao meu lado
Afastavas os meus demónios?

Se te afagasse os contornos da face
Sob a delicada Luz do luar
E Lesse as palavras e a luz dos teus olhos
Acolhias as lágrimas que me teimam abrasar?

E se beijasse a tua boca
Qual pele em mel e cetim
Dançavas, flutuavas, comigo
Sobre flores ou nuvens, suspensas, carmim?

Se me perder por aí
Qual reta ou traço sem fim
Arriscas e prometes-me Amor,
Existir … Ser o meu Querubim?

19-10-2012
Fernanda Paixão

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Quando tudo Acabar



Quando tudo acabar

E quando tudo acabar,
Quando nada mais sobrar
para amar
O céu vai chover
Crivar a terra
com grossas gotas de água
e
nem uma lagrima derramar
e
O mar vai abrir-se
esventrar as entranhas que calou
para nos fazer sonhar.
E
quando tudo acabar,
Qual campo de trigo amarelo
acabado de ceifar,
O bafo do ar quente
queimará pensamentos que,
perdidos,
teimam flutuar,
E o sopro ultimo da voz
Arrancado com dor e sangue
Ecoará,
Um recomeçar,
Para Amar.

17-10-12
Fernanda Paixão

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Diamantes




Se as lágrimas fossem diamantes,
Lapidados pelas mãos dos anjos
Pesaríamos todos os gramas
Falseando pesares Lancinantes

Mas as lágrimas são água simples,
Apenas com um pouco de sal,
Poucos lhe conhecem a dor …
A que as transforma em cristal.

Quando a lágrima é composta,
Perfeita de tamanha emoção,
Transporta uma bagagem imensa,
Um pedaço do coração.

Fernanda Paixão
2012-09-26

sábado, 22 de setembro de 2012

Fui



Fui embalo num colo de Amor
e menina que corria a sorrir;
Fui criança com sonhos na mão
e jovem numa espiral de emoção;
Fui beijo dado a correr
e promessas de Amor Infinito;
Fui mão de um passeio a dois
e entrega em doçura depois;
Fui abrigo a uma vida em crescendo
E colo de Amor e entrega;
Fui sustento de uma vida nos braços
e lágrimas na dor em que me enlaço;
Fui a sombra do brilho dos outros
E rendição em cansaço e Amor
MULHER
um nada com tanto Valor

Fernanda Paixão
2012-09-21



quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Hoje Naufragantes





Hoje Naufragantes

Hoje,
Naufragantes,
Caminhantes de um trilho sem Luz
Sombras de uma adolescência perdida
Choramos a mágoa da fraqueza assistida
Hoje,
Jazidas da corrente da vida
Clandestinos numa sociedade suicida
Aclaramos os olhos com a lágrima dorida
Hoje,
Perdidos na penumbra da fraqueza humana
Afastamos o véu de uma bruma leviana

Fernanda Paixão
2012-09-20



terça-feira, 18 de setembro de 2012

Ainda Assim


Ainda assim,
Continuo. Piso o chão que me acolhe, na queda;
Olho o espelho que me devolve. Sorvo da caneca bocelada que liberta um fumegar turbulento.
Da janela, com vidros pungentes e caixilhos de tinta solta, esfarripam-se raios de um sol que se ofusca.
Sobre a mesa pairam folhas. Papel do foi. Histórias que mais não são que um passado.
No ar vacilam, sons que se confundem com as memórias de uma realidade que nunca existiu.
No alvoroço provocado pelo sopro do vendo lançam-se desejos, ensejos de amanhã.

Fernanda Paixão
20120918

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Já Vais Longe meu Amor





Já vais longe meu amor
Já não ouves as palavras que tarde te falei
Já não ouves as ondas dos meus passos no enlace dos teus.
Já não vês os meus olhos que te procuram na linha do horizonte
Já não vês as minhas mãos que as tuas desejam, nem os meus lábios que pelos teus ensejam

Já vais longe meu amor
Os passos que te levaram no alento do tempo
Deixaram-me na entrega cobarde ao pranto que me negou a partida
Já vais longe meu amor
Fica de ti lembrança do que foste, o sonho de um dia aprazado, o aroma doce do verão
Já vais longe e a chuva do inverno triste não tarde a cair
Já vais longe meu Amor

Fernanda Paixão
2012-08-15

domingo, 19 de agosto de 2012

Castelos



Castelos

Castelos que traço no ar
Suspensos de fios de seda, que a mente teima fiar
Castelos de ameias suaves, feiticeiras,
Que sob os raios de sol teimam brilhar

Desenho Castelos em cima das nuvens
Castelos leves, de traços cuidados,
Muralhas de vidro, portas abertas,
Pinceladas da alma que insisto sonhar
Recantos secretos, refúgios profanos
Intimas alcovas para os meus desenganos
Castelos tão frágeis, feitos de fantasiar
Numa insistente demanda de o mundo mudar

Fernanda Paixão
2012-08-04

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Tamanho da Alma



Trago em mim algo maior,
Algo que me alegra ou me dói,
Que me cresce ou me corrói,
Algo que me obriga a ponderar,
Que me faz acreditar.

Algo de um tamanho sem medida
Que me aconselha ou trucida
E que em permanente investida
Me eleva no fado na vida

A alma que caminha comigo
No corpo que lhe serve de abrigo
Traja os meus olhos e a pele que me despe
Partilha a almofada e a noite agreste

A alma que em paz me adormece
E transborda num juízo tranquilo
Acalma o coração que ferido
Se aperta num ferimento sentido.

A alma que alimenta o meu ser
Que orienta o meu querer
Deixa que prossiga tranquila
Que não tenha nada a temer.

Fernanda Paixão
2012-07-21


quarta-feira, 4 de julho de 2012

Verdade




Só a verdade me interessa,
Nua,
Despida de andrajos.
Dura.
Cruel,
que traga palavras escritas com fel!
Só a verdade me interessa,
Que rasgue sorrisos,
Ou me lave em prantos
Que não quebre os meus encantos!
Só a verdade me interessa,
Transparente,
Sem nada a esconder,
Dela não há a temer.


By Fernanda Paixão
04-07-2012

terça-feira, 19 de junho de 2012

Gosto de ti ... Assim




Gosto
de ver-te passar
De saber-te a sorrir
Gosto
Do teu abraço aberto,
Dos teus olhos brilhantes,
Do teu passo apressado,
do teu jeito aprumado
De quem está a florir
Gosto
De saber-te eloquente
De ouvir-te exigente
Do pensamento lavado
Do teu olhar arrojado
Do falar atalhado
De quem está empenhado em não desistir

Gosto da tua inocência,
do teu sorriso rasgado
ou do teu ar enfadado
Do barafustar enraizado
no exigir afincado
De quem leva a vida ao lado
Gosto de ti … assim

By Fernanda Paixão

2011-12-09



terça-feira, 29 de maio de 2012





“Desilusão só acontece porque depositamos espectativas nos outros. Preferível é sermos felizes por nós e nada  dos outros esperar. Ninguém nos dará aquilo que sonhamos ter.”
Fernanda Paixão
29/05/2012

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Bola de Sabão



Sonho que tenho na mão
Uma frágil bola de sabão
E quando olho através dela
Vejo nítida a tua janela
Que aberta à luz do dia
Permite que eu sorria
E caminhe ao teu encontro
E me aconchegue no teu ombro,
Que me devolvas o olhar,
E preenchas o meu mar,
E me leves a flutuar
Que me faças acreditar
No sortilégio de Amar.

E então
Sopro a frágil bola de sabão
E num voo singelo e alquimia
Rasgo um sorriso de alegria

Fernanda Paixão
21-05-2012

terça-feira, 15 de maio de 2012

Carcaça, Corpo de Mulher




Carcaça, Corpo de Mulher

A todas as mulheres que sem viver passam pela vida, diz-se que em nome do Amor …


Moras em mim.
As tuas mãos deixaram as marcas que não consigo lavar.
Os meus olhos, que aclaravam a alma, secaram de desengano e mágoa.
A minha boca, que se abria no encontro da tua, selou-se. Morreu em clausura.
O meu corpo, de que te serviste e no qual gravaste a tua ira, jaz moribundo do amor doente que me sufocou.
A minha alma partiu, deixou-me sozinha contigo ao meu lado. Sou um pedaço de carne despedaçado.
Moras em mim, no corpo que tomaste como teu. Num corpo que abandonei porque o ceifaste.
Moras em mim, num corpo vazio. Um corpo sangrado, insensível e frio.
Moras em mim, mas não te pertenço … Tens apenas a carcaça do que fui e me venço.


Fernanda Paixão
2012-04-02

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Não te vejo



Procuro nos teus olhos
A verdade que não me dirão
Procuro em vão
Procuro onde nada do que procuro existe,
Os teus olhos de quimera triste.
Procuro em vão
Procuro o que pensei encontrar
O que te negas a mostrar.
Procuro em vão
Procuro os teus olhos 
Procuro a certeza por detrás da fachada
Mas tu partiste, manténs a porta fechada.
E eu que procuro a razão deste ser
Vou para o meu mundo, não quero sofrer
E se algum dia os teus olhos encontrar
Sei que eles estarão a sangrar
Procuro os teus olhos
Procuro em vão
Os teus olhos partiram, já cá não estão
Deixaste um vazio, a escuridão.

By Fernanda Paixão
01-09-11


domingo, 6 de maio de 2012

Mãe é SER Maior


Mãe é SER Maior



No teu ventre, ofertado ao portento de Ser,
Maior que vida, mais que Amor,
Cindes de ti um quinhão ao mundo
Que nunca deixará de ser teu.
De entre os teus seios,
Sortilégios de calma,
Apaziguadores do pranto e do medo,
Pulsa um coração em genuína rendição.

Nos braços, os teus, nos quais desfolhamos,
Mitiga-se a dor e
Embalamo-nos em palavras que o mundo ignora.
Desenhamos o caminho da nossa jornada,
Esquivamos, para eles, cada chicotada.

Da tua boca trazemos o verbo,
Da tua alma a dileção.
E o mundo em crescendo,
De ti se olvida, porque te olvidas de ti,
E te anulas numa vida que outra vida trará.

E porque és grande permites que sejam maiores

Mãe é SER maior na abnegação

Fernanda Paixão
08-05-2012