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domingo, 2 de janeiro de 2011

Bati-te à Porta


Chove,
Num fim de tarde cinzento
Chuva que torna o dia macilento.
Percorri a rua numa corrida infernal
Deslizei sob o chão num sentimento venal
Bati-te à porta no anseio de um abraço
O corpo lascivo em total descompasso
O som ecoou na casa fechada.
Redobrei o bater com a carne gelada.
Do lado de dentro nada soou,
Nem passos, nem vozes … quem me guilhotinou?
Só o som do silêncio, um tempo perdido
Um desvanecer num perder do sentido.
Dos olhos brotou a minha água salgada
A chuva lavou-a … transformou-a em nada

By Fernanda Paixão
2010-12-31