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sábado, 18 de julho de 2015

Seda





A seda que molda o corpo
que jaz tombado no chão
feito de rude granito
picado por mãos calejadas,
gastas do escopro de ferro e da vida,
é suave, é fresca, é limpa.
E o corpo que, desnudo,
Se abandona
ao peso do ser e da seda,
à inercia, em urgência, de estar
ondula ao toque da seda urdida
e ao prazer do ócio e da entrega.
Nem a força da queda
nem o pisar cego, indigente
dos infiéis às leis do Amor
rasgam os finos fios entrelaçados
quais veias pulsantes,
ou mãos ofegantes
dos amantes apaixonados.

Fernanda Paixão
16/07/2015