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terça-feira, 15 de maio de 2012

Carcaça, Corpo de Mulher




Carcaça, Corpo de Mulher

A todas as mulheres que sem viver passam pela vida, diz-se que em nome do Amor …


Moras em mim.
As tuas mãos deixaram as marcas que não consigo lavar.
Os meus olhos, que aclaravam a alma, secaram de desengano e mágoa.
A minha boca, que se abria no encontro da tua, selou-se. Morreu em clausura.
O meu corpo, de que te serviste e no qual gravaste a tua ira, jaz moribundo do amor doente que me sufocou.
A minha alma partiu, deixou-me sozinha contigo ao meu lado. Sou um pedaço de carne despedaçado.
Moras em mim, no corpo que tomaste como teu. Num corpo que abandonei porque o ceifaste.
Moras em mim, num corpo vazio. Um corpo sangrado, insensível e frio.
Moras em mim, mas não te pertenço … Tens apenas a carcaça do que fui e me venço.


Fernanda Paixão
2012-04-02