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quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Sou pouco mais




Sou pouco mais que vento
Soprado numa bola de sabão
Um punhado de areia que te escapa pelos dedos da mão
Sou pouco mais que a cor
Pincelada na tela do artista
Sou como a espuma do mar que morre por mais que resista
Sou pouco mais que um sorriso
Rasgado num rosto humano
Sou como uma flor delicada que luta no solo ufano
Sou pouco mais que água
Que a ninguém irá pertencer
Um rio que corre para o mar para nele tornar a nascer
Sou pouco mais que letras
Que ninguém sabe entender
Sou como um livro aberto à espera de quem o saiba ler
Sou pouco mais que uma ideia
Que surge ao amanhecer
Sou como uma fantasia de quem se nega crescer
Sou pouco mais que neve
Uma lágrima corre na face
Sou como o silêncio da noite que aguarda que a luz o abrace
Sou pouco mais que nada
Sou apenas aquilo que sinto
Sou apenas uma mulher sensível no seu instinto
Sou apenas uma mulher
Sou sofrimento ou labirinto

By Fernanda Paixão
23/08/11