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terça-feira, 29 de março de 2011

Não me Leias



Não me leias ou interpretes
Nem me perguntes quem sou
Não penses comigo
Nem acredites conhecer-me
Não me confundas nem persigas
Não me sei descodificar
Sei-me simples em complexas anisotropias
Sei-me pesada numa bola de sabão
Ou leve incapaz de sair do chão
Sei-me de todas as cores em total transparência
Sei-me doce com o ácido na pele
Sei-me fel com a boca feita mel
Não me leias
Não há letras que me escrevam
Nem palavras que me falem
Não me leias
Deixa-me percorrer as minhas linhas
Escrever-me com outras tintas
Deixa-me vaguear ilegal
Deixa-me ser irreal
Não me leias

By Fernanda Paixão
29.03.2011