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quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Tu, Amigo


Cansada,
O meu corpo num torpor se desfalece.
O meu ser se abnega e entristece.
E,
A minha voz rouca entorpece as palavras que outrora te diria


Minhas mãos,
Que em labuta constante, não teceram as teias deste estar,
Estão lívidas da ausência do almejar.
E,
Em pendor abandonado cadenciam o vazio a ferro e fogo cinzelado.


Os meu olhos,
Luz da alma que em fulgor, cintilam felizes qual condor,
Embaçaram num cinzento macilento, da perda, da dor, do momento,
Do sofrimento que me acossa e que, em pó me macilento


Sofro,
Na entrega sem reservas da minha alma,
Na partilha que em verdade queria calma,
Nas lágrimas que em amor já derramamos,
Na ausência das palavras que declamamos.




Adormeço
Nos soluços de uma culpa que é tua
No erro que não queres aceitar
No ódio que em teu coração fazes transportar.




Tu, amigo,
Que me abraça, que me ama ou me maltrata
Que me chama, que me esquece ou me delata
Vê-te a ti e aquilata.


By Fernanda Paixão
2010-12-28