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segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Adoro-te




Aqui estou, sentada, mãos na algibeira à espera que chegues!
Não tardes! Traz contigo o cheiro da maresia e o gosto da romã!
Pisa levemente a calçada, sem ruído ou invasão do soalheiro da tarde!
Espero!
Já é tarde.
As palavras que te diria ficam presas como monossílabos em acordos menores.
Prendo o olhar na linha do horizonte que teima em confundir-me.
O tempo passa lento, deixando que o rasto das sombras se alargue até desaparecer.
A rua tem agora um toque de prata e no firmamento cintilam milhares de pirilampos dourados.
Chegas, demoras suavemente os lábios quentes nos meus, dás-me a mão e enganamos o tempo e trocamos as palavras dedilhadas nas cordas do silêncio.
Tu dizes “adoro-te”


By Fernanda Paixão
2010-10-14