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segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Mendigo



O seu pensamento é vazio
A sua vida incompleta.
O seu olhar é sombrio
E o seu corpo doentio.
O seu passo é incerto
O seu mundo um deserto.
A sua cama é de fel
Os seus lençóis são de papel.
A farpela foi-lhe dada
Maltrapilha e Aldrabada.

Ele vagueia errante
Num percurso inconstante.
E, se trôpego cai na calçada,
A custo retoma a passada.
E os seus olhos encovados,
Já sem cor e nostalgia,
Escondem o tremendo desgosto e
A falta de magia.
A vida passa-lhe ao lado
Nada lhe serve de consolo
Nada invade o seu mundo,
Feito de desconsolo,
Feito de nada e dor,
Feito de mágoa e ardor
Feito de raiva e despeito
Por todos os que como nós lhe faltam ao respeito
Descrente nos homens e em Deus,
Ele que foi esquecido pelos seus,
Espera agora indiferente
Perante os outros negligente
Que o mundo se vá fechando
E a vida se vá findando.


By Fernanda Paixão
2010-06-16