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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Amas


Amas o impossível
Pelo impossível choras
É impossível esquecer
O impossível que adoras!

By Fernanda Paixão
1986-06-24

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Choro


A minha alma chora!
Soluça de mágoa e dor,
Grita em laivos … na escuridão com pudor!


Grita perdida e sem cor,
Grita fechada e em surdina,
Grita rasgada em farrapos, num grito que me amotina!


Grilhetas que a prendem e se enredam
Impedem que flua e flutue…
Mostram-lhe medos e segredam, que o tempo a desvirtue!


Minhas lágrimas são de sangue,
Do punhal que em mim cravaste!
O teu coração que está negro do mal que lá plantaste.


By Fernanda Paixão
2010-12-29

Tu, Amigo


Cansada,
O meu corpo num torpor se desfalece.
O meu ser se abnega e entristece.
E,
A minha voz rouca entorpece as palavras que outrora te diria


Minhas mãos,
Que em labuta constante, não teceram as teias deste estar,
Estão lívidas da ausência do almejar.
E,
Em pendor abandonado cadenciam o vazio a ferro e fogo cinzelado.


Os meu olhos,
Luz da alma que em fulgor, cintilam felizes qual condor,
Embaçaram num cinzento macilento, da perda, da dor, do momento,
Do sofrimento que me acossa e que, em pó me macilento


Sofro,
Na entrega sem reservas da minha alma,
Na partilha que em verdade queria calma,
Nas lágrimas que em amor já derramamos,
Na ausência das palavras que declamamos.




Adormeço
Nos soluços de uma culpa que é tua
No erro que não queres aceitar
No ódio que em teu coração fazes transportar.




Tu, amigo,
Que me abraça, que me ama ou me maltrata
Que me chama, que me esquece ou me delata
Vê-te a ti e aquilata.


By Fernanda Paixão
2010-12-28

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Amor de Pais



É pouco quando se recebe
É imenso quando se oferece
É remédio quando se tem
É veneno quando de perde


Sem qualquer paradoxo
É um sentimento furor
Quando o Amor é de pais
É sentimento maior 

By Fernanda Paixão

2010-12-28


quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Natal


No tempo de sermos nós
Esquecemos a ilusão
Percorremos a nossa vida
Sem sentir o coração


Nesta quadra de Natal
Em que o Sonho é Fantasia
Transformemos a nossa vida
Enchendo-a com Amor e Alegria


By Fernanda Paixão
2010/12/23

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Gosto de Gente


Gosto de gente honesta
Que faz da vida uma festa
Que partilha e se entrega
Que se oferece mas não se verga


Gosto de gente que vive
De gente que me cative
De gente com brilho nos olhos
De gente com alegria aos molhos;

Gosto de gente sem pressa
De gente simples que tropeça
Da que cai e se levanta
De gente que em sofrimento canta

Gosto de gente de todas as cores
De gente que gosta de flores
De gente transigente
De gente assim bem diferente

Gosto de gente com alma cheia
De gente com sangue na veia
De gente que sonha acordada
Que caminha de mão dada

Gosto de gente directa
De pensamento lavado
Com passo lento ou apressado
Que caminha com e sem gente ao lado

Gosto de gente com imaginação
De gente que tenha paixão
De gente que seja ousada
De gente rica ou descamisada

Gosto de gente inteligente
De gente que seja indulgente
De gente que se atira e se mostra
De gente que nunca se prostra

Gosto de gente que olha de frente
De gente que me acalente
De gente que não tem medo
De gente que guarda um segredo

Gosto de gente divertida
De gente que seja atrevida
De gente que seja versada
Gosto de gente com gargalhada

By Fernanda Paixão
2010-12-13

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Falta-me dizer-te


Falta-me dizer-te que me sigas
Que me ames em silêncio
Que me embales no teu colo
Que me fales com doçura
Que me beijes com ternura!

Falta-me dizer-te que me abraces
Que me desenhes e alvoraces
Que me confundas e desenlaces
Que me traces o destino
Que me dês o teu carinho!

Falta-me dizer-te que sou tua
Que me tens quando quiseres
Que me enredo no teu ser
Que me elevo por te ter

Falta-me dizer-te que te amo intensamente

By Fernanda Paixão
2010-12-06

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Sou Nua


Sou nua,
Despi-me de mim,
Fiquei transparente e neste instante trespassa-me o peito a dor do despeito.


Sou nua,
A ti me mostrei,
Roubas-te de mim o que não te dei. Marcaste o meu peito que nunca blindei!


Sou nua,
Chora-me o ser,
Procuro cansada o amanhecer. Procuro em vão não transparecer!


Sou nua,
Estou de partida,
Deixaste-me nua, tão desprotegida!


Sou nua,
Com roupa vestida. Não pode um amigo uma tal investida.


Sou nua,
Num mar turbulento,
Por mais que insista nunca mais aprendo!


Sou nua,
Frágil fulgor,
Suplico-te a ti, dá-me o teu calor.
Num abraço apertado, não finjas respeito!
Diz-me apenas a verdade sem qualquer preconceito!
Sê apenas sincero,
Amigo leal,
Não me digas mentiras, veneno fatal!

Sou nua
E assim tão frágil,
E em pura ilusão,
Te rogo amigo que não me magoes em vão.
Pois quando me entrego é com toda a paixão!


By Fernanda Paixão
2010-12-05

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Sonolência


Deixo que a mente vagueie,
Que percorra os recantos que lhe escondo;
Deixo-me deslizar, parto, vou ao seu encontro;

Na doce sonolência do estar,
Entrego-me à indolência sem me inquietar;
Sinto o corpo fugir-me sem me admoestar!


Crepitam os ramos, gemem ao queimar,
Enfeitiça-me o laranja da chama que insiste em dançar,
Invade-me o calor que me impele a sonhar!

O meu corpo banhado em luz suspende-se num vazio que seduz,
Já não sou quem marca a cadência da minha existência,
Pendem-me os braços do corpo inerte,
Cala-se a voz num silêncio gritante,
Transcendo-me! Já nada é importante;


E nesta aprazível monotonia,
Envolta de transparente sinfonia,
A ti me entrego em perfeita harmonia

By Fernanda Paixão
2010-12-06

domingo, 5 de dezembro de 2010

Utopia


Viver num delírio sem ter que explicar,
Sobrevoar os sonhos sem nunca voar!
Caminhar sobre a água sem saber flutuar,
Olhar para o mundo e senti-lo pulsar!


Viver como um louco com toda a paixão,
Acreditar nos outros e no seu coração
Transportar o sonho na palma da mão!
Ser uma quimera a viver sem razão!


Transpor as barreiras que ignora existir
Sorrir como um louco sem nunca iludir


Perscrutar os sons que existem em nós
Vibra-los no corpo como água na foz


Idílico existir assim tão sonhado
Olhar para a vida num véu rendilhado


By Fernanda Paixão
2010-12-05

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Talvez

Talvez te abrace ou te beije.
Talvez te olhe simplesmente.
Talvez embeleze a minha alma com o teu sorriso!
Talvez abrilhante o meu sorriso com o pensamento em ti.
Talvez procure no infinito o modo de te alcançar.
Talvez alcance a felicidade por a tua presença compartilhar!

By Fernanda Paixão
2010-12-03


quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Cuidadosamente

Desenho-te numa folha branca de papel amarrotado que aliso com as palmas da mão;
Pincelo com aguarelas as ondas do cabelo que imagino em ti;
Traço-te um sorriso rasgado, próximo da sonora gargalhada que me parece ouvir-te!
Os teus olhos vivaços, de olhar malandro são o espelho da alma que me embarcou na aventura do ser.
As tuas mãos sempre quentes, sempre prontas a segurar as minhas são o que sobra dos teus fortes braços que me abraçaram quando necessitei.
Cuidadosamente, dobro-te e fecho-te numa caixa para sejas sempre meu.


By Fernanda Paixão
2010-12-01

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Veneno


Dá-me veneno!
Aquele veneno que me deste a provar
Aquele veneno que me fez levitar!

Dá-me veneno!
Molha os meus lábios com o sumo da vida,
Não me deixes assim desvalida!

Dá-me veneno!
Não quero morrer!
Dá-me veneno para eu não sofrer!

Dá-me veneno!
Daquele que é teu,
Dá-me veneno preenche o meu breu!

Dá-me veneno!
Sustem-me na vida,
Dá-me veneno que estou combalida!

Dá-me veneno!
Faz-me viver,
Transforma a minha noite em amanhecer!

Dá-me veneno,
Sem qualquer amargor.
Dá-me o veneno que é apenas Amor!
Dá-me o veneno que te corre nas veias
Partilha o meu mundo que capitaneias!

Dá-me o veneno, o mais puro de ti,
Vive comigo o que ainda não vivi!

Dá-me o teu Amor do qual sou viciada
Dá-me o teu Amor que me sabe a lágrima salgada.

Dá-me veneno!
Mantêm-me cativa,
Dá-me veneno!
Faz-me sentir que estou viva!


By Fernanda Paixão
23-11-2010

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Voa Mais Alto




Voa mais alto que o tempo,
Que o contratempo que te seduz!
Voa mais alto que o desejo,
Que aquele ensejo de ser contraluz!
Tu
Flutua no espaço, num largo abraço
De pura magia que sentes em ti!
Dança no vento, sente o momento e apenas sorri!
.
Rasga a amarra,
Solta a fanfarra
Derrete o segredo daquele enredo que te reduz!
Tu
Abre caminhos,
Desvenda os destinos,
Segue apenas o trilho da luz!
.
Deixa que vejam
Que te protejam
Deixa que inundem com aquela doçura que em ti perdura!
Tu
Salta bem alto
Sem qualquer sobressalto
Rasga o passado, escreve a matriz, inventa o tempo para ser feliz
By Fernanda Paixão
19/11/2010

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Sonhadora




Hoje, tempo em que não sonho, parei!
Quis sentir quão verdadeira era a vida.
Era fria, crua, nua.
Era um vazio maior. Não o que imaginei!
Era uma tela pintada a cinzento,
Sem cor e sem alento!
Uma estátua desprovida de sentimento!
Olhei em redor…
Os olhos perscrutaram magia …
Nada! Apenas nada havia!
Assim, numa realidade sombria,
Deixando que a vida tolha ilusões
Que o mundo castre as paixões
Não sou eu…
Eu,
Sonho colorido,
Sonho sonhado,
Sonho acordado, despertado de uma vontade de nascer
Sonho entranhado … só assim sei viver.
Viver acreditando, às vezes dogmatizando
Mas sem nunca deixar de ser…
Eu!
Eu, sonhando! Sonhadora, portadora de ilusões,
Outra de muitas paixões, aquelas de me fazem dizer
É melhor sonhar e sofrer que apenas viver!
By Fernanda Paixão
11/09/2011

domingo, 14 de novembro de 2010

Quero



Quero desenhar a doçura de saber-te aqui
Olhar o infinito e perder-me na distância do teu olhar
Quero tocar o calor da tua presença
Sentir que a vida se encontra suspensa
Quero preencher o vazio da minha carência
Afastar o gélido furto da tua ausência
Quero saber que partilho o ar que respiras
Quebrar as fronteiras que me impõem barreiras
Subir a montanha até à nascente
Correr pelos prados pintados de azul
Deitar-me na erva cortada a pincel
Olhar para o molde talhado a cinzel
Quero saciar a ansiedade da minha loucura
Respirar o perfume que entre nós perdura
Invadir o mundo com tudo o que é nosso
Preencher o vazio e sentir que o destroço
Respirar o ar que em ti adoço
Quero encher o meu mundo com a presença que de ti me aposso
Que me prendas com palavras caladas
Que me acompanhes entre paredes caiadas
Que me abraces e me adormeças em melodias desveladas
Quero desenhar a doçura de saber-te aqui

By Fernanda Paixão
12/11/2010

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Existência



Bocas que se calaram
Silêncios que se apagaram
Sorrisos fechados para nunca mais sorrir

Ténue, a linha que a vida traça
Escapando entre fumaça
Borbulhando em volúpia e raça

Fino, o véu da presença
Que subtil cobre à nascença
A marca da sua sentença

Ilusão, afincada crença
De uma marcada diferença
De uma existência imensa

Restam a temperança
Das memórias que o tempo há-de levar!
As saudades que o tempo há-de apagar!

Tu, que igual a mim, viverás enquanto a memória perdurar…

By Fernanda Paixão
09/11/2010

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Aquilo que não sei




Digo-te palavras desfiadas de novelos de algodão
Acaricio tua pele com sopros quentes do alento que em mim fechei
Perfumo a tua boca com o beijo salgado em nós
Lavo os teus olhos com as lágrimas que não sequei
Procuro a tua mão e em suspiros cavados te peço perdão
Pelas palavras lançadas em devaneio
Pelas palavras caladas no silêncio
E em vão adormeço aspirando o amanhã …
Escrevo hoje aquilo que não sei se amanhã te direi …
Em toques subtis de lábios quentes … sou tua

By Fernanda Paixão
2010-10-21

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Adoro-te




Aqui estou, sentada, mãos na algibeira à espera que chegues!
Não tardes! Traz contigo o cheiro da maresia e o gosto da romã!
Pisa levemente a calçada, sem ruído ou invasão do soalheiro da tarde!
Espero!
Já é tarde.
As palavras que te diria ficam presas como monossílabos em acordos menores.
Prendo o olhar na linha do horizonte que teima em confundir-me.
O tempo passa lento, deixando que o rasto das sombras se alargue até desaparecer.
A rua tem agora um toque de prata e no firmamento cintilam milhares de pirilampos dourados.
Chegas, demoras suavemente os lábios quentes nos meus, dás-me a mão e enganamos o tempo e trocamos as palavras dedilhadas nas cordas do silêncio.
Tu dizes “adoro-te”


By Fernanda Paixão
2010-10-14

sábado, 9 de outubro de 2010

Pensamento do dia


Muitos dias, triste, pergunto-me qual o sentido da vida! No dia seguinte acordo e sorrio!

By Fernanda Paixão
2010/10/09

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Quem és tu Sonho?




Quem és tu?
Que me bates à porta quando estou a sonhar!
Que me falas baixinho para me embalar!
Que me deixas o aroma do teu serpentear!

Quem és tu?
Que sem nada dizer me preenches a noite!
Que sem me tocar me dás um açoite!
Que sem me olhar fazes com que pernoite!

Quem és tu?
Intruso do breu, do mistério chegado!
Caminhante invisível, saltimbanco arreigado!

Quem és tu
Que me fazes sorrir
Que me fazes chorar
Que me fazes voar?

Quem és tu Sonho?

By Fernanda Paixão
20/09/2010

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Envelhecer




Queima-me a dor

Engelha-me a pele

Engrossam os dedos

Sem que me flagele

Fraquejam-me as forças

E o coração

Os cabelos já brancos

Por antecipação

O corpo mudou

Avalio a mudança

Eu quero ficar

Para sempre criança!

As manchas na pele

O cansaço constante

A força que falta

O ficar dissonante

O corpo definha

Mas a alma não quer

Recusa-se a ver

Para onde caminha

O corpo não deixa

A alma que o tenta

A alma que o julga

E que o alimenta

O corpo aparenta a sua idade

Na alma perdura a jovialidade.

Se o corpo e alma acusam lembrança

Eu quero ficar para sempre criança!


By Fernanda Paixão

2010-06-20

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Mendigo



O seu pensamento é vazio
A sua vida incompleta.
O seu olhar é sombrio
E o seu corpo doentio.
O seu passo é incerto
O seu mundo um deserto.
A sua cama é de fel
Os seus lençóis são de papel.
A farpela foi-lhe dada
Maltrapilha e Aldrabada.

Ele vagueia errante
Num percurso inconstante.
E, se trôpego cai na calçada,
A custo retoma a passada.
E os seus olhos encovados,
Já sem cor e nostalgia,
Escondem o tremendo desgosto e
A falta de magia.
A vida passa-lhe ao lado
Nada lhe serve de consolo
Nada invade o seu mundo,
Feito de desconsolo,
Feito de nada e dor,
Feito de mágoa e ardor
Feito de raiva e despeito
Por todos os que como nós lhe faltam ao respeito
Descrente nos homens e em Deus,
Ele que foi esquecido pelos seus,
Espera agora indiferente
Perante os outros negligente
Que o mundo se vá fechando
E a vida se vá findando.


By Fernanda Paixão
2010-06-16

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Não sei de ti, Vida




Não sei de ti
Nem de mim
Nem do que será de nós
Não sei do hoje,
Nem do amanhã e o passado esqueci
Não sei dar-te
Nem receber-te
Não sei se te sei entender
Não sei olhar-te
Nem ignorar-te
Nem tão pouco imaginar-te

Sei-te vida agora entregue
Que ceifada me (te) vais (vou) ser
És mutante e inconstante
És bailarina ondulante
És cianeto e diamante
És aguilhão ou Paixão
És palavra por dizer!
Sei-te vida vagabunda que te perdes em perfídias
Que me levas e trazes vidas
E me fazes sorrir e sofrer!
Sei-me embriagada com teu canto
Tu que cativas com teu pranto
Qual musa, ninfa ou quebranto
E eu, trôpega, numa volúpia insuspeita sigo o rasto do teu manto
E me amarfanho ou abrilhanto, me transformo em crisanto


By Fernanda Paixão
20/09/2010

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Escrevo palavras






Aqui, olhar perdido na distância ao infinito
Torpor do corpo lânguido, caído
Aqui , entregue às palavras que o pensamento exige ditar
Alheia aos sons das falas que as gentes teimam gritar
Embalada na brisa e no som da ramagem
Escrevo as palavras sem qualquer camuflagem.
Escrevo palavras que quero dizer
Que quero que o mundo repita sem querer
Palavras idiotas, palavras tão sábias
Palavras sentidas, palavras sem lábias
Palavras soltas na aragem ….
Eu,
Tu,
Nós,
Paz,
Amor,
Verdade,
Doçura, Ternura, Candura

By Fernanda Paixão
20/09/2010

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Eu





Quem sou?
Perguntas e eu não sei responder
Onde vou?
Onde a vida me levar!
Onde estou
Onde não quero estar!
O que não digo ou prefiro calar
O que tolero para a vida ganhar…
Cobardia?
Talvez falta de ousadia…
Ou apenas utopia…

Estou cansada de lutar!
Estou cansada de sonhar!
Sonhar com a justiça,
Sonhar com a verdade sem cobiça!
Sonhar com a rectidão
Sonhar com tanta paixão!

Não suporto a mentira
Não suporto a hipocrisia,
Não suporto a subserviência
Nem a falta de consciência
Não suporto a indiferença
Nem a falta de presença
Dos que nos mandam calar
Dos que fingem que não vêem
Dos que sem mérito ou valor
Nos humilham sem pudor.

Não quero chorar sequer
Não vou unir-me nem fingir
Vou tão-somente ignorar e acabar por me rir
Dos que preencheram o coração com o peso da ambição!



By Fernanda Paixão
2010-06-16

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Goste de Ti




Deixa que goste de ti,
Que te dê um sorriso, que não tens que entregar!
Deixa que goste de ti,
Que te dê a mão,
Que chore contigo nos dias que parecem não acabar!
Deixa que goste de ti,
Que caminhe a teu lado,
Que percorra o caminho sentido o teu fado!
Deixa que goste de ti,
Que seja a sombra que te acompanha em silêncio,
E mesmo muda ou gritando o teu nome
Que goste de ti

By Fernanda Paixão
11/09/2011

domingo, 12 de setembro de 2010

Sonhadora





Hoje, tempo em que não sonho, parei!
Quis sentir quão verdadeira era a vida.
Era fria, crua, nua.
Era um vazio maior. Não o que imaginei!
Era uma tela pintada a cinzento,
Sem cor e sem alento!
Uma estátua desprovida de sentimento!
Olhei em redor…
Os olhos perscrutaram magia …
Nada! Apenas nada havia!
Assim, numa realidade sombria,
Deixando que a vida tolha ilusões
Que o mundo castre as paixões
Não sou eu…
Eu,
Sonho colorido,
Sonho sonhado,
Sonho acordado, despertado de uma vontade de nascer
Sonho entranhado … só assim sei viver.
Viver acreditando, às vezes dogmatizando
Mas sem nunca deixar de ser…
Eu!
Eu, sonhando! Sonhadora, portadora de ilusões,
Outra de muitas paixões, aquelas de me fazem dizer
É melhor sonhar e sofrer que apenas viver!

By Fernanda Paixão
11/09/2011

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Guardei Palavras






Guardei palavras
Escritas,
Faladas,
Lidas,
Declamadas,
As que me lembram-me de ti!

Guardei imagens
Impressas? Imaginadas?
As que me lembram de ti!

Guardei os sonhos, a ilusão,
Guardei toda a paixão
Que vivi, ou não
Mas que me lembram de ti

Guardei o fulgor de nós
Imprudentes
No limite do real

Guardei as palavras t(r)ocadas
Palavras simples (ir)reflectidas
Palavras loucas
Palavras que são parte de mim, de ti

By Fernanda Paixão
26/07/2010

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Luz Esparsa





Não tapes a luz esparsa e escassa
Que penetra e trespassa a escuridão do caminho
Deixa inundar a carcaça do teu ser
Solta o grito, larga a força
Rasga o elo da cadeia que te prende e aniquila
Lavra o trilho que percorres a correr
Sente o vento, sente a luz, sente a mão que te seduz
Sente o espírito, sente a arte, sente a dor que te invade
Sente o Amor que em ti Arde e … Reparte
Não tapes a luz esparsa e escassa
Abre os braços e abraça
A vida é para viver


By Fernanda Paixão
01-04-2009
(modificado 24-08-2010)

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Dor




Não me perguntes porquê
Não tenho a resposta
Não adivinhes a tristeza
Transporto-a presa
Contenho-a para não a chorar
Numa dor sofrida de tanto a calar
Roem-me as entranhas, desdobram-se em prantos
Grita-me a alma pela injustiça humana
A mutilação do justo, a condenação do honesto
Penso muitas vezes que não presto
Será que o mundo perdeu os valores?
Olho pró lado e vejo horrores
Não me perguntes porquê,
Não tenho a resposta
A soberba e a ambição são agora os valores da geração
O homem transporta o gosto da humilhação
Piso descalça o trilho da vida
Ferem-me os pés, sangra-me a alma
É a ti que peço perdão
Abdiquei de lutar e entrei-me à comiseração

By Fernanda Paixão
25/08/2010

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Tristeza 2





Tu que entras em mim sem ser avisada
Que usas chinelos bordados a prata
Afasta-te
A tua presença mata

Tu feiticeira que domas as almas
Que sendo furor pareces tão calma
Afasta-te
A tua presença mata

Tu que és rainha de um mundo sem fim
Que percorres o vazio à espera de mim
Afasta-te
A tua presença mata

Tu ò tristeza ornada a rubis
Que te camuflas em sentimentos subtis
Afasta-te de mim

By Fernanda Paixão
26/08/2010

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Palavras Mudas



Palavras mudas
Que me fazes chegar
Rasgam-me os sonhos por me acalentar

Palavras mudas
Que teimas calar
Agitam-me o ser que teima em te Amar

Palavras mudas
Que riscas para mim
Transportam o grito de um sentimento sem fim

By Fernanda Paixão
23-06-2010

Escrevo o teu nome




Escrevo o teu nome
Brinco com o lápis que se esquece entre os meus dedos
Perco-me no tempo que cada letra demora a desenhar
Floreio com doces grinaldas as Consoante e Vogais
Escrevo o teu nome
A luz inquieta fá-lo dançar, fá-lo vibrar entre sombras e cristais
O papel, antes branco, tem a textura e a cor do passado
Escrevo o teu nome
Entre goles de café, lágrimas e sorrisos
Balbucio cada letra, cada sílaba para que não me fuja
Escrevo o teu nome
Reforço o ondular das letras marcadas no papel
Escrevo o teu nome
A verde, a azul, a carmim,
Escrevo o teu nome no verde do mar, no azul do céu ou no carmim dos lábios
Fecho-o e perfumo-o com salpicos de alecrim
Alguém um dia decifrará o que significou para mim

By Fernanda Paixão
23-08-2010

domingo, 25 de julho de 2010

Revelo



Adoço a mel
Tua pele
Que tangível
Se mascara de cores,
Se matiza de clamores
Traçados com o simples pincel.

Perfumo o teu cabelo
Uso o almíscar
Uso a canela
E assim já singelo
Desmoronado o teu flagelo
Me revelo
E em anelo
Minhas mãos em desvelo
Em ti me aquartelo

By Fernanda Paixão
25/07/2010

sábado, 24 de julho de 2010

Pensamento



"Hoje respiro fundo para preencher os vazios da (des)ilusão".


By Fernanda Paixão

24/07/2010

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Mudar



Passei-te ao lado, na rua que percorri sem te ver
Bateste-me à porta que mantive fechada
Preenchia-me o sonho de tudo mudar
Queimava-me as mãos aquela vontade
Transportava no peito assaz ansiedade

Sonhava a justiça e a dignidade
Sonhava um mundo de equidade

Procurava ser Maior, ser Melhor

No caminho perdi o pensamento
Perdi a cadência e a azáfama
Cedi na vontade de lutar
Entreguei o sonho de tudo mudar

Recolhi as garras da agitação
Entreguei as armas, vi a traição
Deixe que o sonho caísse por terra
Vi o mundo tal como ele era

A vida passa agora devagar
Os dias decorrem sem inquietação
Deixo que a paz invada o meu ser
Dou valor ao que me enche o coração

Abri-te finalmente a porta
Aceitei-te tal como és
Aprendi a viver-te, calma,
Vida



Fernanda Paixão, 21/07/2010

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Movimento Lento



É em movimento lento que ora caminho
Sem afogo e destemperos da juventude
Deixei para trás sonhos e ilusões

Hoje caminho em movimento lento
Vivo cada momento em menor ansiedade
Entrego-me à calma e a serenidade

Em movimento lento entrego-me à vida que, finalmente aprendi, tem que ser vivida.

Em movimento lento, VIVO

By Fernanda Paixão
21-07-2010

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Balanço





Balanço,
Danço,
Rodopio num vórtice de ilusão
Piso o chão quente da terra queimada
Levanta-se o pó
Sente-se o cheiro do calor do verão
Balanço
Danço
Rodopio num remoinho quente
Fecho os olhos e deixo-me embalar
Balanço
Danço
Rodopio no aroma que é teu
Embriago-me de Amor
Balanço
Danço
Rodopio no teu olhar
Sinto os teus olhos faiscar
Balanço
Danço
Rodopio
As pernas cansadas, trôpegas caem no chão
Balanço
Danço
Rodopio
Assim caída, deitada por terra
O corpo cansado
Repouso em silêncio
Entrego-me ao teu beijo e a este ensejo


Fernanda Paixão, 20/07/2010

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Ciclos de Felicidade




Roubei-te ao céu,
Fechei-te numa caixa que tranquei
Pudesse eu ter-te para sempre!

Espreito-te,
Deixo que me invadas e fecundes
Que te secundes em mim e logo foges e me contundes

Escondo-me,
Mergulho num profundo mar de silêncio
Isolo-me no escuro ao som calmo da noite

Embalo-me,
Nas lágrimas mudas que rasgam a face
Adormeço entre soluços e (des)ilusões que se tecem no enlace

Flutuo,
Nos acordes de uma melodia suave
Tento encontrar serenidade neste conclave


Questiono,
A paz que me percorre e serena
Olho a porta que me separa do real e me condena

Sinto
A brisa que sopra do mar
Deixo-me aconchegar

Sorrio
Ao desnudar-me ao luar
Deixo os meus fantasmas abalar

Aprendo
Ao despertar
A felicidade está onde a quisermos encontrar

Roubei-te ao céu
Fechei-te numa caixa que abro quando calhar
Fechei-te numa caixa que abro para partilhar.


By Fernanda Paixão
2010-07-15

quarta-feira, 14 de julho de 2010

O lado de dentro


Virei-me ao contrário.
Mostrei o lado de dentro,
Entreguei ao mundo o meu sentimento.

Não mostrei as entranhas nem o sangue nas veias
Mostrei ao mundo a minha alma e as suas teias.

Com ingenuidade e pouca ambição
Transportava ao relento o meu coração

Os lobos vieram com os dentes afiados
Quais lobisomens tão esfomeados.

Com utopia acreditei na bondade humana
Fui invadida por uma tristeza mundana

Hoje piso o caminho com leve pegada
Sigo o meu trilho já abnegada

Temente aos homens e às suas gingadas
No meu coração apenas deixam dedadas

Olho o futuro ainda com esperança
Que reine em nós um sorriso de criança

Continuo ainda a acreditar
Que o lado de dentro se vai poder mostrar



By Fernanda Paixão
2010-07-14

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Não importa



Não importa a guerra
Só deixa sangue na terra!
Não importa a posição
Se resulta da ambição!
Não importa o vencedor
Se antes houver corruptor!
Não importa a minha ilusão
Se houver desolação!
Não importa os sonhos que sonho
Se com eles me envergonho!
Não importa as palavras que invento
Se as leva o vento!
Não importa os desenho que esboço
Se logo a seguir os destroço!
Não importa os sorrisos que rio
Se não te contagio!
Não importa as lágrimas que deito
Se forem de despeito!
Não importa o meu sofrimento
Se nele houver sentimento!
Não a importa a felicidade
Se não for de autenticidade!
Não importa a eternidade
Se não houver afectividade!
Não importa o alvorecer
Se os olhos não o puderem ver!
Não importa Amar
Sem ter a quem o dar!
Não importa aquilo que escrevo, nem aquilo que penso
Se por um momento tu não estiveres para o poder partilhar.

By Fernanda Paixão
01/07/2010




quinta-feira, 1 de julho de 2010

O teu sofrimento



Lavei os meus olhos
Nas tuas lágrimas
Para que chorassem por ti
E as tuas lágrimas caíram
Nos meus lábios vermelhos carmim
Com os teus lábios molhados
Beijas-te os meus com doçura
Trocamos o gosto salgado
Das lágrimas da amargura.
Retribuí e beijei a tua boca
Para silenciar a tua dor
O sentimento assolou-me
E na face senti um rubor.
A tua mão pousou na minha
Com um toque suave e quente
Abraçamo-nos em silêncio
Sob o luar refulgente
Encostei-me ao teu ombro
Senti o teu coração
Queria dar-te o meu
Com toda a minha Paixão
Não quero ver-te sofrer
Dói-me a alma só de pensar
Não mereces nenhum sofrimento
És um ser invulgar

By Fernanda Paixão
2010-06-26

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Há dias…



Há dias em que Sofremos
Sem saber porquê
Há dias em que parece que o mundo se vira ao contrário
Há dias em que o nada parece infinito e o infinito parece vazio
Há dias em que os olhos parecem não olhar e a alma parece trovejar,
Aqueles dias em que um pequeno nada parece arrancar-nos o coração do peito
e nos deixa o sentimento desfeito, deitado na lama.
Há dias em que o céu parece cinzento e o sol teima em não brilhar.
Há dias que teimam não acordar.
Quando esses dias se instalam, se impregnam na pele e arrebatam o sonho … vale a pena gritar.
Gritar ao mundo, Gritar ao vento
Porque o desalento não pode durar…
E assim libertar o sofrimento e
Gritar!
Gritar!
Gritar do cimo de uma montanha colada ao céu
Gritar através da alma e mesmo sem calma
Gritar mesmo sem falar através de uma trova
E mesmo que chova
Deitada na relva sentido as gotas na pele molhada e assim embalada
Voar!
Voar livre
Voar em sonhos febris
Voar porque o sofrimento não se diz
Voar porque se é feliz …


By Fernanda Paixão
2010-06-28

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Amor não é …


Amor não é fogo que arde sem se ver
Não é ferida que dói e não se sente
E não é contentamento descontente
Amor é entrega permanente

Amor é um constante partilhar
É um sentimento sempre presente
É um olhar a dois consciente
É uma boca em duas confidente

Amor é abnegação
É doçura e candura
É ter e dar com ternura
É sintonia do coração

Amor é caminhar lado a lado
É calma e paz e fado
É estar presente se ausente
É beber as palavras de igual nascente

Amor é ouvir juntos o som do silêncio
É dormir aninhados e abraçados
É respirar o memo aroma
É dar as mãos mesmo cansados

Amor é ser feliz com pouco
É sofrer com a dor do outro
É sorrir e viver
É não viver se o outro morrer!


By Fernanda Paixão

2010-06-25